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Ministro da Defesa ameaça golpe de Estado caso voto impresso não seja aprovado

Atualizada – 22/07/21 – 10h45

Segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo desta quinta-feira (22/07/21), assinada pelas repórteres Andreza Matais e Vera Rosa, o ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, simplesmente ameaçou o Congresso com um golpe de estado caso este não aprove o voto impresso. Mais tarde, o ministro lançou nota, mas não negou que tenha feito ameaças contra a realização das eleições de 2022.

A ameaça teria sido mandada ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) no último dia 08 de julho. Por meio de um interlocutor, Braga Netto “pediu para comunicar, a quem interessasse, que não haveria eleições em 2022, se não houvesse voto impresso e auditável”. A ameaça partiu no dia seguinte da nota em conjunto com as Forças Armadas, que também ameaçaram o Congresso após comentário do senador e presidente da CPI da Pandemia, Omar Aziz (PSD-AM).

Vale lembrar que a ameaça foi repetida pelo presidente Bolsonaro no mesmo dia 8 de julho em conversa com apoiadores: “Ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições”, disse o presidente, sinalizando o conluio em torno do discurso no Planalto.

De acordo com a reportagem, após receber o “recado”, Lira pediu uma audiência com Bolsonaro e teria dito ao presidente que não contassem com ele para qualquer aventura autoritária. Bolsonaro teria respondido que joga “dentro das 4 linhas da Constituição”. Na conversa com Bolsonaro, Lira teria repetido que está com o presidente até o fim, mesmo que o grupo seja derrotado nas eleições de 2022, mas que não admitiria golpe.

Um ministro do STF teria dito ao jornal, em condição de anonimato, que a ameaça de Braga Netto repete a estratégia do general Eduardo Villas-Bôas em 2018, quando a corte julgou o pedido de Habeas Corpus que poderia libertar o ex-presidente Lula, à época preso pela Lava Jato na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Via Twitter, o general disse que a sociedade não toleraria mais impunidade.

Análise

Estranho como esses indivíduos são covardes até pra ameaçar. Mandam um interlocutor fazer isso. E também é estranho como essa bravata aconteceu antes dos comentários desanimados do presidente Bolsonaro, afirmando que “talvez o voto impresso não passe” e que talvez ele nem disputasse a eleição. Pode ser sinal de que a ameaça não tenha surtido o efeito desejado. Na verdade, a própria nota em conjunto das Forças Armadas também não fez a CPI recuar e causou forte reação.

Fica a pergunta: e se não for? O que farão? Mandar soldados e tanques prenderem os deputados? Vão assumir diante a opinião pública internacional uma quartelada e as pesadas consequências econômicas que viriam a seguir? Ou será apenas medo de perder os privilégios dos mais de 6 mil cargos no Governo Federal? Ou pior ainda: será medo da implicação de militares no escândalo da compra das vacinas? Cheira a blefe.

Em todo caso, é preciso reagir com mais força e imediatamente. É inaceitável que um general sem qualquer representatividade popular se ache no direito de ameaçar a democracia caso seu capricho não seja aprovado. Esses indivíduos são pagos com dinheiro do contribuinte e devem se limitar ao seu papel institucional. É preciso acabar com a fanfarronice das Forças Armadas.

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