Amazonas

Por que falta do “Kit Intubação” também ameaça o Amazonas

Estoque do estado só é suficiente para mais 20 ou 30 dias, dependendo da variação de hospitalizações e consumo dos itens

A situação preocupante da escassez de medicamentos para intubação de pacientes com a Covid-19 no resto do país também é um risco para o Amazonas. Isso porque segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), o estoque local só é suficiente para mais 20 ou 30 dias, dependendo da variação de hospitalizações e consumo dos itens.

O problema é que as atividades econômicas do estado já estão retornando, mesmo com altos índices de internações e baixa cobertura vacinal. E, de acordo com o último boletim da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) os números de internações em todo o estado voltaram a subir.

De acordo com a Central de Medicamentos do Amazonas (Cema), na última semana, foram entregues novos carregamentos de 30 mil ampolas de Atracúrio e 12 mil Ampolas de Rocurônio.  Os medicamentos são bloqueadores neuromusculares usados nos processos de intubação orotraqueal (IOT), e estão entre os mais demandados durante a pandemia da Covid-19.

A Cema ainda aguarda a entrega de 35 mil unidades de Atracúrio, última remessa de uma compra de 155 mil unidades, feita em fevereiro; assim como aguarda a entrega de 18 mil ampolas de Rocurônio, adquiridas das indústrias farmacêuticas produtoras, cujas remessas foram parceladas. Até o momento, os fornecedores cumpriram todos os prazos acordados.

Quanto aos sedativos, outra classe de medicamentos do Kit Intubação, a exemplo da Fentanila, Propofol, Midazolam e Morfina, a Cema tem estoques que podem variar de 20, 30 e 60 dias, a depender do consumo pelos hospitais, que também possuem estoque desses medicamentos.

A SES-AM afirma já estar providenciando novas aquisições de todos esses sedativos e aguarda a entrega por parte dos fornecedores. O coordenador da Cema reforça que mesmo com estoque seguro para o momento, é importante que a indústria farmacêutica reforce a produção, tendo em vista o aumento do consumo em todo o Brasil. 

“É importante que a sociedade e os órgãos de controle mantenham a pressão sobre as indústrias farmacêuticas, para que as mesmas priorizem esses medicamentos e aumentem a produção e distribuição para os estados brasileiros”, enfatizou Claudio Nogueira, coordenador da Cema. E acrescentou que é preciso que se aumente o controle para a utilização racional de todos os insumos.

No começo de março, o Vocativo alertou para este problema. De acordo com a SES-AM, antes do início da pandemia, o estado utilizava entre 600 a 800 ampolas mensais. Com a disparada de casos graves de Covid-19, o consumo, entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021, saltou para 28 mil ampolas mensais, um crescimento de 4.567%. Isso representa nada menos que 54% da produção nacional. Entre janeiro e fevereiro, a demanda simplesmente dobrou, chegando a 67.410 ampolas.

Foto: Divulgação/SES-AM

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