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Esaú e Jacó: como Machado de Assis via os governos da sua época

Publicada pelo selo Via leitura, "Esaú e Jacó" mostra divergências entre irmãos, abolição da escravatura e as revoltas contra o governo de Floriano Peixoto

O Vocativo estreia neste domingo a seção Dica de Leitura, onde vai trazer para você algumas dicas de livros para estes tempos de pandemia e isolamento social. A primeira sugestão será um dos maiores clássicos de Machado de Assis: Esaú e Jacó.

Ao longo da carreira de escritor, Machado de Assis nunca deixou de se posicionar diante de questões de cunho social. E não poderia ser diferente na penúltima obra escrita por ele: Esaú e Jacó. Lançado originalmente em 1904 e agora publicado pelo selo Via Leitura (Editora Edipro), o livro foi escrito em uma época de transição da política brasileira em que o país deixava de ser uma monarquia para viver uma república. 

O romance é ambientado entre o fim do Império e o início da Proclamação da República no século XIX e apresenta grandes acontecimentos como a abolição da escravatura e as revoltas contra o governo de Floriano Peixoto. Esaú e Jacó também retrata a disputa de dois irmãos gêmeos, Pedro e Paulo, que dividem opiniões diferentes: um é conservador e apoia o antigo regime governamental e o outro é liberal e deseja avanços políticos.

“Considerava eu um dia quantas repúblicas têm sido derrubadas por cidadãos que desejam outra espécie de governo, e quantas monarquias e oligarquias são destruídas pela sublevação dos povos; e de quantos sobem ao poder, uns são depressa derrubados, outros, se duram, são admirados por hábeis e felizes…” (p.124, Esaú e Jacó)

Com o narrador-personagem Conselheiro Aires, que dialoga diretamente com os leitores, Machado de Assis apresenta um enredo no qual os iguais se opõem e contradições se assemelham. O livro também retrata, de forma muito sutil, o conflito entre religião, política e ciência, em que o destino do homem permanece uma incógnita. O mesmo ocorre com a república e a monarquia, já que a disputa entre ambas é levantada como mera questão partidária.

Esta edição da Via Leitura foi reproduzida a partir da primeira publicação da obra em 1904 e traz notas explicativas para os termos em desuso.  Esaú e Jacó é o sexto livro de Assis na coleção Biblioteca Luso-Brasileira do Grupo Editorial Edipro, que já conta com 24 obras voltadas aos estudantes de ensino médio e vestibulandos. 

Ficha técnica 
Título: Esaú e Jacó
Autor: Machado de Assis
Editora: Via Leitura 
Assunto: Literatura 
Preço: R$ 31,90 
ISBN-13: 78-6587034225
Edição: 1ª edição, 2021 
Idioma: Português 
Número de páginas: 224 
Onde comprar: https://amzn.to/38fCIjD

Sobre o autor: Machado de Assis (1839-1908) foi jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo. É o fundador da Cadeira nº 23 da Academia Brasileira de Letras. Ocupou por mais de dez anos a presidência da Academia, que passou a ser chamada também de Casa de Machado de Assis. Foi criado no morro do Livramento. Sem meios para cursos regulares, estudou como pôde e, em 1854, com 15 anos incompletos, publicou o primeiro trabalho literário, o soneto “À Ilma. Sra. D.P.J.A.”, no Periódico dos Pobres. Em 1856, entrou para a Imprensa Nacional, como aprendiz de tipógrafo. Em 1858, era revisor e colaborador no Correio Mercantil e, em 60, a convite de Quintino Bocaiúva, passou a pertencer à redação do Diário do Rio de Janeiro. Escrevia regularmente também para a revista O Espelho, onde estreou como crítico teatral, a Semana Ilustrada e o Jornal das Famílias, no qual publicou de preferência contos. 

Sugestão da LC – Agência de Comunicação

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