Covid-19: 60% dos internados em UTI’s no Amazonas são pessoas com sequelas

0

Atualizada às 13h18

O governo do Amazonas confirmou que a ocupação de leitos no Hospital Delphina Aziz, referência no estado para o atendimento de pacientes com a Covid-19, atingiu 94% no último final de semana. A confirmação foi feita durante coletiva na manhã desta terça-feira (27/10), quando foram anunciadas medidas para tentar solucionar o problema. Durante a entrevista, um dado alarmante: 60% dos pacientes atualmente na UTI do hospital são de pacientes com sequelas da doença.

Ampliação de leitos

O governador Wilson Lima (PSC) negou novamente que o estado esteja passando por uma segunda onda da Covid-19, mas mesmo assim prorrogou o último decreto estadual que restringia atividades comerciais por mais 30 dias. Lima anunciou ainda a ampliação de leitos, sendo 43 clínicos e 42 de UTI nos próximos dias para tentar suprir a demanda. Apesar disso, o governador descartou mais uma vez decretar lockdown no Amazonas.

Sobre o aumento no número de óbitos e internações no estado, o governo afirmou que o aumento veio do interior e responsabilizou os partidos políticos em campanha eleitoral, que estariam expondo a população ao promover comícios e caminhadas com com grandes aglomerações. “Estamos preocupados com essa situação porque estamos notando um aumento de casos a partir desses eventos. Em imagens divulgadas nas redes sociais há multidões sem máscaras e sem respeitar o isolamento social”, reclamou a diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), Rosemary Pinto.

O governador aproveitou a coletiva para alfinetar o prefeito de Manaus, Arthur Neto. Ao responder uma pergunta, Wilson Lima culpou a falta de atendimento em Unidades Básicas de Saúde (UBS) da capital pela condição de pacientes que foram internados na rede estadual. “Estamos esperando o Secretário Municipal de Saúde para nos reunirmos sobre essa questão. Ainda estamos aguardando. Neste momento, temos de deixar as bandeiras políticas de lado”, afirmou.

Pacientes com sequelas

Durante a coletiva de imprensa, um dado alarmante. Segundo a Secretaria de Saúde do Estado do Amazonas (SES-AM), 60% dos leitos de UTI do Delphina são de pessoas que não estão mais contaminadas pelo coronavírus, mas enfrentam sequelas da doença. “Há pacientes há seis meses em UTI”, alertou o governador.

De acordo com o secretário executivo adjunto de Atenção à Urgência e Emergência, Moab Amorim, em Manaus, de 3% a 4% dos infectados com o novo coronavírus apresenta algum tipo de sequela. “As principais sequelas hoje são insuficiência renal, aguda e crônica, lesões pulmonares permanentes, em todos os níveis e, em alguns casos, os pacientes começam a desenvolver hipertensão crônica”, alerta.

Evolução dos casos

De acordo com dados da FVS-AM, a média móvel de casos de Covid-19 evoluiu 23% no Amazonas nos últimos 14 dias. Em Manaus, a alta de casos no período foi de 55%. As hospitalizações em decorrência da doença e os óbitos também têm apresentado tendência de aumento.

Segundo a FVS-AM, a taxa de ocupação de leitos clínicos destinados à Covid-19 na rede estadual cresceu 51% nos últimos 14 dias. A média móvel de mortes por Covid-19 no Amazonas evoluiu 36% também nesse mesmo período.

Durante a entrevista coletiva, Wilson Lima reafirmou a importância de que toda a sociedade continue observando as medidas de prevenção ao novo coronavírus. “Reforçamos o apelo para que todos continuem nos ajudando nessas medidas restritivas, que sobretudo o comércio continue cumprindo aquilo que foi determinado, todos os protocolos estabelecidos pelos profissionais da área de saúde”, disse.

Denúncia do SIMEAM

Durante uma visita neste final de semana, o Sindicato dos Médicos do Amazonas (SIMEAM) afirmou que profissionais de saúde que estavam em contato direto com pacientes com Covid-19 estariam atendendo também pacientes de outras enfermidades. O secretário de saúde do estado, Marcellus Campelo, porém, negou a informação e afirmou que os protocolos estavam sendo seguidos.

Hospital de Campanha

Questionado sobre a possibilidade de reativar o hospital de campanha da Universidade Nilton Lins, na zona Centro-Sul de Manaus, o governador Wilson Lima não descartou essa possibildade, mas acha pouco provável. “Tivemos essa proposta do governo federal e estamos avaliando, embora não pareça provável que vamos precisar”, disse.

Foto: Secretaria de Estado da Comunicação (Secom)

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui