Cotidiano

Quem está do outro lado da tela?

Você já imaginou que, neste momento, a pessoa com quem você troca curtidas no Facebook pode simplesmente não existir?
Programas de computador conhecidos estão sendo cada vez mais utilizado para se passarem por humanos e influenciar debates nas redes sociais e  gerar tendências. Um estudo recente da Adobe (via Wall Street Journal), 28% do tráfego na web vem de bots e outros “sinais não-humanos”. Informação preocupante com tantos dados pessoais circulando pela rede e em época de eleição, como será o caso do Brasil este ano.
No Brasil, essa tendência tem sido registrada desde que foram detectados perfis falsos tratando sobre eleições municipais de 2012. Os objetivos, de acordo com a Sociedade Brasileira de Computação (SBC), são variados e podem ser desde levantar bandeiras políticas até tirar a atenção de algum assunto que esteja bombando nas redes. Atualmente, esses softwares são capazes de fazer um comentários e até começarem relacionamentos via redes sociais com alguém.
Mas o principal problema não é apenas a utilização de identidades falsas para manipular a opinião de pessoas. Luis da Cunha Lamb, integrante do Comitê Gestor da Comissão Especial em Algoritmos, Combinatória e Otimização da Sociedade Brasileira de Computação (SBC) e PhD in Computer Science pelo Imperial College London (2000), explica que a maior ameaça é justamente o desconhecido:
“Teremos um cenário de ampla utilização de tecnologia. Os exemplos recentes em eleições de outros países, de coleta de dados das pessoas a partir das informações postadas pelos próprios indivíduos, ou por seus amigos e conexões, ilustram o quanto podemos ser impactados por tecnologias. A questão não se resume somente através de apps, robôs ou ferramentas atuais. As vulnerabilidades das redes pode vir a ser explorada de maneiras que ainda desconhecemos”, alerta.
Fogo com fogo
Apesar do risco que o mau uso dessas tecnologias representa, a solução para se proteger pode estar nelas mesmas. “Sistemas inteligentes, inclusive baseados em tecnologias de aprendizado de máquina, podem aprender a nos ajudar de forma positiva também: por exemplo, podem nos ajudar a identificar as notícias falsas ou tendenciosas que são propagadas por perfis falsos ou por robôs. Estas tecnologias também podem nos auxiliar em compras, e de forma muito ampla no comércio eletrônico; em suma, são tecnologias com grande potencial”, afirma Luís Lamb.
Bom senso sempre
Ao disponibilizarmos nossos dados, fotografias, emitindo opiniões, curtindo postagens, enviando mensagens a amigos, estamos fornecendo informações que ficam disponíveis através dessas conexões, que por sua vez estão também conectadas muitos outros usuários que desconhecemos. Alguma dessas conexões pode estar vulnerável e podem ser exploradas. Por isso, é sempre importante ponderar o que deve ou não ser publicado.
“Indiretamente, nossas informações pessoais, que acreditamos estarem protegidas, passam a estar disponíveis a terceiros que não conhecemos. Temos de ter cuidado com o que compartilhamos sobre nossas vidas, se os dados que disponibilizamos realmente podem ser tornados públicos. As informações que disponibilizamos certamente servem como informação para terceiros, para pessoas desconhecidas, para o bem, ou para o mal”, ensina Lamb.
Foto: EBC
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