Contexto

No Brasil, 55% apoiam o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, mostra Ipsos

No Brasil, 55% dos respondentes disseram apoiar que pessoas do mesmo sexo se casem. Por outro lado, apenas 42% apoiam que casais LGBT+ demonstrem afeto em público, como dar as mãos ou um beijo

Para o mês do orgulho LGBT+, a Ipsos realizou uma pesquisa com entrevistados de 27 países, sendo mil brasileiros, que traz insights sobre como a comunidade LGBT+ é vista e aceita na sociedade. Um dos pontos abordados foi o casamento. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (10/06/21).

No Brasil, 55% dos respondentes disseram apoiar que pessoas do mesmo sexo se casem. Por outro lado, 18% se mostraram contrários ao enlace legal; 14% são a favor de que haja algum tipo de reconhecimento por lei, mas não um casamento; e 14% não souberam responder.

Os dados do Brasil são alinhados com a média global – com 54% dos respondentes a favor do casamento de pessoas do mesmo sexo e 16% a favor de algum reconhecimento legal – mas bem inferiores aos dados de países como Suécia, Holanda, Espanha e Bélgica, onde os entrevistados mostram um apoio à união de pessoas do mesmo sexo através do casamento ou de outro dispositivo legal igual ou superior a 84%.

De 27 nações, o Brasil é a 12ª que menos endossa o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. No entanto, o estudo mostrou que 15% dos entrevistados no país não se consideram heterossexuais. É o segundo maior percentual, entre 27, atrás apenas da Índia (17%). Em terceiro lugar está a Espanha, com um total de 12% de pessoas que se consideram homossexuais, bissexuais, pansexuais, assexuais ou outros. A média global, levando em conta todos os países, é de 9%.

Globalmente, o perfil LGBT+ é majoritariamente formado por homens, membros da geração Z e não casados. Já aqueles que apoiam o casamento civil entre pessoas LGBT+ são, em sua maioria, mulheres, da geração Z, LGBT+, pessoas não casadas e com nível de escolaridade mais alto.

O Brasil é o país, de todos os analisados, onde há maior exposição à comunidade LGBT+. 66% dos entrevistados afirmaram ter um amigo, familiar ou colega de trabalho homossexual e 50% disseram ter um amigo, familiar ou colega de trabalho bissexual. Na média global, menos da metade, 42%, disseram conviver com uma pessoa homossexual e apenas 24% afirmaram conviver com alguém bissexual.

Outro assunto discutido no levantamento foi a adoção de crianças por casais do mesmo sexo. Entre os brasileiros, sete em cada 10 (69%) acreditam que pais LGBT+ devem ter os mesmos direitos de adotar que casais heterossexuais possuem. Além disso, 69% acham que casais do mesmo sexo são tão aptos quanto outros pais a criar filhos com sucesso. Em ambos os casos, o percentual de discordantes é de 25%.

Apoio é majoritário, mas precisa sair do discurso

A pesquisa da Ipsos expôs algumas opiniões contraditórias de brasileiros no que diz respeito à comunidade LGBT+. Apesar de 55% dos entrevistados no Brasil opinarem que pessoas LGBT+ devem ser abertas com todos sobre sua orientação sexual ou identidade de gênero, apenas 42% apoiam que casais LGBT+ demonstrem afeto em público, como dar as mãos ou um beijo.

A ambivalência se estende ao esporte. 60% concordam que atletas abertamente lésbicas, gays e bissexuais estejam em equipes esportivas, mas só 40% acham que atletas transgêneros devam competir com base no gênero com o qual se identificam, e não no gênero que lhes foi atribuído ao nascimento.

“O reconhecimento de sexualidades ou identidades de gênero diferentes da sua não condiz sempre com a aceitação de comportamentos e a conquista de direitos dos outros. É somente com o esforço da atuação pública – empresas, governo e sociedade – que esse reconhecimento começa a ser normalizado. Já enxergamos sinais positivos, com mais pessoas se sentindo livres para se assumirem publicamente, através de uma história de luta e afirmação, mas o espaço precisa ser dado”, comenta Marcio Aguiar, Gerente de Pesquisas Qualitativas na Ipsos.

A pesquisa on-line foi realizada com 19.069 entrevistados de 27 países, com idades entre 16 e 74 anos. Os dados foram colhidos entre 23 de abril e 07 de maio de 2021 e a margem de erro para o Brasil é de 3,5 pontos percentuais.

Foto: Paulo Pinto/FotosPublicas

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