Contexto

Estudo mostra como o governo Bolsonaro promoveu a chamada “infodemia”

Não bastasse a pandemia do novo coronavírus, o Brasil vive um outro tipo de surto: uma infodemia. De acordo com a Organização Panamericana de Saúde (OPAS), infodemia é o termo usado para designar “um grande aumento no volume de informações associadas a um assunto específico, que
podem gerar manipulação de informações com intenção duvidosa. E segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira (17/05), é exatamente o que o governo Bolsonaro promove no Brasil desde que a crise sanitária começou.

O relatório Infodemia e a COVID-19 – A informação como instrumento contra os mitos, produzido pela ARTIGO 19, organização que atua pela defesa e promoção do direito à liberdade de expressão e de acesso à informação em todo o mundo, fez um levantamento com base em informações obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). A publicação fez um diagnóstico quanto à transparência e à garantia do direito de acesso à informação pública na pandemia de Covid-19 no Brasil. E o resultado foi o pior possível.

A pesquisa se baseou em pedidos de informação feitos ao Ministério da Saúde comparados com dados disponibilizados em transparência ativa e declarações do Ministério da Saúde e da Presidência da República. Foram feitas perguntas acerca do “kit covid” e contratos referentes aos medicamentos indicados; do aplicativo “Trate-COV”; de solicitações e fornecimento de oxigênio e insumo à cidade de Manaus; da vacinação indígena e ribeirinha no Norte do país; e disponibilidade de comprovação científica dos métodos adotados oficialmente.

Seus resultados apontam para a infodemia como prática de órgãos ministeriais e da presidência da república. Ou seja, o governo disseminou informações, algumas verdadeiras e outras falsas, muitas vezes conflituosas, sobre a Covid-19. O objetivo era aumentar as incertezas sobre o que é verdadeiro e o que é falso a respeito da doença.

O relatório deu ênfase à análise do acesso e da conformidade da informação, dada a percepção da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) sobre os impactos da infodemia no número de mortes por Covid-19. Como resposta, 85% dos pedidos se enquadram neste cenário de infodemia: 35% dos pedidos tiveram classificação de informação desonesta; 25% foram classificados como desinformação intencional; 20% como apagão e 5% como informação parcial. Somente 15% das informações analisadas foram consonantes. Nessas, os pronunciamentos ministeriais foram mínimos.

“O que podemos observar é como a não informação e a informação conflitante foram bases das declarações do governo na condução da política de saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertava para o perigo da desinformação no contexto da pandemia. Contudo, o Governo Federal e o Ministério da Saúde continuaram a insistir na disseminação de notícias falsas, descredibilizando protocolos internacionalmente reconhecidos de prevenção e tratamento da Covid-19”, explica Denise Dora, diretora-executiva da ARTIGO 19.

Além disso, segundo ela, o documento traçou uma correlação entre os pronunciamentos presidenciais e o número de contaminados e mortes no País. “A cada pronunciamento presidencial – que contraditava as orientações de cuidado – aumentava-se o número de contaminação da doença e também de óbitos no Brasil”, finaliza.

Foto: Alan Santos/PR

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