Amazonas

Rio Negro pode atingir cota de inundação severa este ano em Manaus

O rio Negro pode atingir a cota máxima de 29,45m no Porto de Manaus em 2021. A previsão é do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), divulgada nesta quarta-feira (31/03). Esse valor para o pico da cheia representa uma média. A prefeitura já anunciou monitoramento dos bairros que deverão ser mais atingidos.

Considerando um intervalo de confiança de 90%, segundo o modelo utilizado, a previsão é que a cota máxima esteja dentro da faixa de 28,55m a 30,35m. Dentro desse intervalo, a probabilidade que o rio atinja a cota de inundação (27,50 m) é de 99% e a probabilidade que o rio atinja a cota de inundação severa (29,00 m) é de 80%. A probabilidade de que esteja em curso uma cheia tão grande quanto a de 2012, ano da máxima histórica, existe, mas é de aproximadamente 17%.

Neste ano, o Alerta se estendeu para outras duas cidades amazonenses. Na cidade de Manacapuru, o nível do rio Solimões está acima do esperado para o atual período do ano, próximo ao observado em 2015, quando a cota máxima de toda a série histórica foi observada no município. Para Manacapuru, a previsão é que o rio atinja 20,27m em média, podendo variar entre 19,20 e 21,20 m, com 90% de confiança.

Em Itacoatiara, o rio está acima do nível normal desde fevereiro e deve atingir uma média de 14,90 m, com 90% de confiança de que fique no intervalo entre 14,30 m e 15,60 m. A cota de inundação no município, de 14,00m, tem 99% de chances de ser atingida neste ano, e a cota de inundação severa (14,20 m) tem a probabilidade de 97%. A cota máxima em Itacoatiara foi atingida em 2009, com 16,04m, evento que tem 10% de chances de ser igualado em 2021.

La niña

Conforme o meteorologista Renato Senna, o final de 2020 teve um déficit de precipitação em grande parte da Bacia Amazônica Ocidental. No princípio de 2021 esse padrão se inverteu e já em fevereiro de 2021, as chuvas foram muito acima do esperado na bacia como um todo, causando inclusive transbordamentos no Acre.

O pesquisador do Sipam explica que os oceanos são atores determinantes nas chuvas e, no caso da região amazônica, essa influência se dá pelo Pacífico. Como está em curso o fenômeno La Niña, de resfriamento das águas, ele altera a formação de nuvens sobre o oceano e elas passam a se concentrar na Oceania. O resultado têm sido chuvas mais concentradas e em maior quantidade do que o normal na Amazônia, o que tende a se agravar. Em abril, maio e junho as chuvas devem diminuir em intensidade e ficar um pouco acima do normal no médio e baixo Negro, além do curso principal do rio Solimões.

“Segundo grande parte dos modelos de previsão, o fenômeno La Niña está se encerrando, fazendo com que o Pacífico tenda a se aquecer. Ao final do trimestre, a bacia do rio Branco pode chegar a condição de déficit já que a estimativa é de que as chuvas não sejam suficientes”, destacou Senna.

Bairros mais afetados

De acordo com o estudo realizado pela Prefeitura de Manaus, na região urbana os bairros atingidos devem ser o Tarumã, Mauazinho, São Jorge, Educandos, Raiz, Betânia, Presidente Vargas, Colônia Antônio Aleixo, Aparecida, Centro, Santo Antônio, Cachoeirinha, Glória, Compensa e Puraquequara.

Na região rural ribeirinha, a Defesa Civil vai monitorar as comunidades Nova Canaã do Aruau, São Francisco do Aruau, Lindo Amanhecer, São Sebastião do Cuieiras, São Francisco do Chita, Bela Vista do Jaraqui, Nova Jerusalém do Minpidiau, São Sebastião do Tarumã-Mirim, Agrovilla, Cueiras do Tarumã-Açu, Nova Esperança do Apuau, Santa Isabel do Apuau, Nova Aliança do Apuau, União e Progresso, São Francisco do Tabocal, São Raimundo e o assentamento Nazaré.

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