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Como uma geração que ouviu Renato Russo ficou assim?

Se estivesse vivo, Renato Russo, nome artístico de Renato Manfredini Júnior, completaria 61 anos neste sábado (26/03). O cantor morreu em outubro de 1996, aos 36 anos, em decorrência de complicações causadas pela Aids. A gente sempre imagina como seriam se nossos grandes ídolos do rock vivessem e envelhecessem iguais a nós. Seja pela vida desregrada, seja pela fatalidade do destino, poucos conseguem. E se estivesse vivo, Renato provavelmente estaria desolado.

Como é possível que uma geração de pessoas que cresceu, amou, envelheceu e até morreu ouvindo suas músicas pode se tornar tão preconceituosa, misógina, insensível e indiferente diante da morte? Claro, não dá pra imaginar que um único músico seria capaz de moldar o caráter de um país inteiro, mas também é inegável que a cultura é parte fundamental da construção da identidade de um povo. E a Legião Urbana tem o mesmo peso para a nossa geração do que a Bossa Nova teve no passado.

E Renato foi a essência do rock: sentimento, na sua forma mais profunda. A nossa identificação com ele nasce aí: ao contrário de outros artistas do gênero que falavam da sexualidade, de questões sociais ou de política, Renato falava sobre os nossos dramas: amores não correspondidos, medo da morte, solidão, depressão. Ele conseguia por pra fora o que entalava nossas gargantas.

Sabe o que é mais triste? Lá atrás, ainda vivo, não foram poucas as entrevistas em que ele falava disso: da desilusão com a juventude, com a apatia do jovem brasileiro. Fico imaginando como se sentiria hoje, vendo jovens defendendo ditadura, atacando mulheres, negros e LGBT’s (como ele). É uma pena que tão poucos tenham entendido sua mensagem. Quem sabe um dia.

Histórico

Renato ‘Russo’ Manfredini Júnior (27 de março de 1960 / 11 de outubro de 1996) nasceu no Rio de Janeiro. Filho do funcionário público do Banco do Brasil, Renato Manfredini, com a professora de inglês, Maria do Carmo. Viveu dos sete aos dez anos em Nova York (EUA), por conta de uma transferência profissional de seu pai.

Aos 13 anos, de volta à Brasília, Renato estudava e levava uma vida típica dos adolescentes de classe média da Capital Federal. Quando, entre os 15 e 16 anos, enfrentou uma rara doença óssea, a epifisiólise, que o deixou por um período entre a cama e a cadeira de rodas. Já nesta época criava bandas e movimentos imaginários. Começou também a compor letras e músicas compulsivamente em casa. Em seguida formou a banda Aborto Elétrico, em 1979. Em 82 abandonou o Aborto Elétrico e passou a fazer trabalhos solos. Neste período ficou conhecido como “O Trovador Solitário”.

A Legião Urbana surgiu quando Renato se juntou a Marcelo Bonfá, Eduardo Paraná (Hoje conhecido como Kadu Lambach) e Paulo ‘Paulista’ Guimarães, ainda em 1982. Ico-Ouro Preto também tocou guitarra em poucos shows do início da banda. No ano seguinte, Paulista e Paraná deixam a formação original e Dado Villa-Lobos assume a guitarra.

Uma gravação demonstrativa chegava às mãos de executivos da EMI-Odeon, no Rio de Janeiro. Nesta fase, a banda contou com o importante apoio de Herbert Viana, do Paralamas do Sucesso, que tinha sido contratada pela gravadora e já os conhecia e admirava. Assim, a Legião Urbana foi contratada para lançar seu primeiro álbum, que foi produzido em 1984 e lançado nos primeiros dias de 1985. Momentos antes dessa gravação, o músico Renato Rocha, o “Negrete”, passa a integrar a banda como baixista, posto antes ocupado por Renato Russo. A partir dali nasceriam discos marcantes e grandes sucessos.

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