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Conheça a rotina dos programadores de redes sociais adultas

Você já parou para pensar como é a vida de um profissional da tecnologia que trabalha vendo nudes todos os dias?

Programar uma linha em JavaScript, Python ou PHP pode até ser uma tarefa simples para um profissional da tecnologia da informação. Colocar um site no ar ou desenvolver um aplicativo é parte da rotina dessa galera que está acostumada a atender os mais variados clientes e faz parte de um mundo cada vez mais globalizado. Mas, você já parou para pensar como é a vida de um profissional da tecnologia que trabalha vendo nudes todos os dias?

À primeira vista pode até parecer algo que renderia uma demissão se descoberto pelo chefe, mas, essa é a rotina do desenvolvedor back-end Lucas Gouvêa, que desde agosto de 2019 trabalha no Sexlog. Ele conta que chega a ver de 50 a 100 nudes por dia, mas que isso acabou se tornando algo normal com o passar do tempo. “Eu deixei de sentir diferença de trabalhar no segmento adulto logo no início”, destaca. Aliás, Lucas também conta que quando alguém descobre sobre seu trabalho rola até uma surpresa positiva.

No entanto, Gouvêa diz que tudo isso ainda é motivo de muita brincadeira com os amigos, já que alguns ainda acham que lidar com conteúdo sexual é “putaria aberta o dia inteiro no navegador, trabalhando pelado e contando as notas de dinheiro com o pé em cima da mesa. Eles sempre querem saber como funciona e se divertem com as histórias da minha rotina”, brinca.

“A realidade é que o ambiente de testes é cheio de memes e fotos de bichinhos, comigo torcendo para o código dar certo quando atualizo a codagem”, diz Gouvêa, pontuando que têm aprendido muito sobre o que realmente é conteúdo adulto desde que procurou entender melhor sobre o assunto. “Os problemas e as motivações, tanto das pessoas que se encaixam no perfil dos usuários do site quanto dos trabalhadores sexuais, fez com que eu aprendesse coisas muito interessantes que mudaram a minha mentalidade em relação aos dois assuntos”, finaliza.

No entanto, nem só de brincadeira e quebra de tabus vive um programador de uma rede social adulta. O líder técnico do app Ysos, Luiz S.S. Baglie, trabalha há dois anos na empresa e destaca que não há diferença entre o que ele faz e outras empresas de tecnologia.

“No nível técnico, temos de arquitetar sistemas, implementar melhorias, corrigir bugs, assim como outros serviços B2C. O que difere é no relacionamento com o cliente, pois fica mais inusitado quando você atende um usuário com um login, digamos, incomum, com o pseudônimo “querocuzinho, por exemplo”, destaca, pontuando que não enxerga apenas o desejo carnal como motivação nos usuários na plataforma, mas sim como um estilo de vida.

Baglie pontua que, apesar da rotina ter muitas particularidades, eles e os demais desenvolvedores compartilham de uma preocupação comum a aplicativos populares como o Ysos ou uma rede social como o Sexlog, que hoje já chega a 14 milhões de pessoas.

“Após a aprovação da Lei Geral de Proteção de Dados, nosso maior desafio, agora, é, sem dúvida, a moderação de conteúdo. Todas as fotos postadas precisam ser moderadas contra fakes, rostos e animais. Também moderamos o conteúdo explícito, que não é permitido em áreas públicas”, diz o líder técnico.

Todas as ações feitas nas plataformas precisam ser extremamente rápidas para amparar a moderação humana. Recentemente, os cientistas de dados desenvolveram duas IA’s específicas para moderação do Ysos, após passarem um mês inteiro rotulando mais de 20 mil fotos manualmente.

Pornografia vista com olhar profissional

Trabalhando no Sexlog como programador back-end, Guilherme Canal Marques destaca que sua percepção sobre o que é pornografia ou conteúdo adulto mudou muito depois que começou a trabalhar no desenvolvimento da rede social, mas ainda rende momentos divertidos. “Algumas coisas são engraçadas, como nomear uma classe de “Bumbum Guloso” por exemplo. Ou quando temos uma reunião séria com uma apresentação cheia de nudes”, destaca.

Marques relata que dentro da área da tecnologia, são poucas as oportunidades de se trabalhar com uma rede social do tamanho do Sexlog, com mais de 14 milhões de pessoas. “Cotidianamente, aparecem situações que aplicações de menor porte, como uma loja online ou administrativa, dificilmente vão gerar. Com isso, sem dúvidas, hoje sou um profissional muito melhor e preparado do que era quando entrei”, esclarece o programador, que também trabalha em outra rede social adulta, o Voluptas Club.

Ele destaca que entendeu que podem existir muitos aspectos ruins ligados à pornografia, mas que ela também pode ser enxergada de outra forma. “É legal trabalhar com uma plataforma onde eu ajudo a viabilizar isso com segurança e sem preconceitos. Agora entendo por exemplo que, saindo do pornô mainstream, já tem muita gente produzindo conteúdo como uma ferramenta de libertação, auto afirmação e conhecimento.”, finaliza Marques, pontuando que até dentro de casa encontrou apoio de sua esposa, que encara com naturalidade o que faz em seu trabalho.

Criatividade para quebrar paradigmas

A Product Manager Jéssica Garcia trabalha há 3 anos com o app Ysos e acha que trabalhar com um produto nichado para o público adulto é algo bem tranquilo. “No início é um impacto trabalhar com nudes abertos na tela, mas logo a gente se acostuma. É importante lidar sempre com respeito e profissionalismo”, esclarece, completando que a busca constante por desenvolver algo seguro é primordial.

Jéssica entende que trabalha com um produto que ainda enfrenta uma série de tabus na sociedade, mas que isso a ajuda a crescer ainda mais profissionalmente. “Demanda criatividade para trabalhar em alternativas às limitações de divulgação, o que gera muito aprendizado e um exercício de empatia constante, principalmente em ouvir nossos clientes e entender de que maneira podemos contribuir para melhor atender às suas necessidades”.

A profissional ainda destaca que o nicho possui algumas particularidades, principalmente pelo fato de ainda ser um tabu na sociedade. “Mas, em relação às metodologias e processos técnicos, não é muito diferente de outros segmentos”, finaliza a product manager, que acredita que os usuários se sentem acolhidos na plataforma, principalmente por mostrar que os padrões irreais da indústria pornô estão sendo quebrados.

Como em qualquer empresa que trabalha com desenvolvimento de produtos digitais, o Sexlog tem metas, objetivos e entrega de resultados. E, de acordo com programador front-end Felipe Ferreira Cabo, que há um ano e meio está na companhia, tudo é feito da forma mais profissional possível, ainda que tenha que lidar com a nudez na sua tela diariamente, principalmente de clientes afoitos pela diversão.

Ele relata que a inovação proposta pela rede social envolve uma série de desafios técnicos, trazendo tudo o que o mercado da tecnologia vem fazendo pelo mundo. “A distribuição de vídeos, fotos e livecam são tendências para o futuro. Por ser algo ainda novo, tecnicamente é mais complexo de lidar”, pontua o analista, que também faz parte da equipe do Buupe, que em breve estará no ar, sendo uma plataforma brasileira para venda de nudes e outros conteúdos exclusivos, como faz o OnlyFans.

A tecnologia de ponta com transmissão real-time de conteúdo proposta pelo Sexlog, precisa ser desenvolvida pensando no macro, mas sem esquecer que estão lidando com pessoas únicas. “Para cada problema, para cada estudo e para cada solução é necessário o envolvimento de vários times e disciplinas diferentes, atuando sincronizados para a resolução do problema ou aplicação de uma funcionalidade. Quem trabalha em um mercado tão inovador e disruptivo quanto esse só tende a crescer profissionalmente”, finaliza Cabo.

Foto: Agência Brasil

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