86% dos mortos por Covid-19 no Amazonas são pretos ou pardos

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Desde que a pandemia do novo coronavírus chegou ao Amazonas, na metade de março de 2020, está claro que a maneira como a doença atinge a população é altamente desigual no que diz respeito à distribuição étnica. Dos 4.741 mortos registrados até este dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, cerca de 86,7% são pretos ou pardos. A taxa de incidência da doença entre eles também é desigual, embora bem menor, chegando a 70%.

Embora a maioria da população do estado seja composta por pardos, 75% contra 25% de brancos, a incidência de óbitos na raça branca é onde está o maior indicativo de desigualdade, uma vez que apenas 9% das vítimas fatais da Covid-19 no Amazonas é composta da população branca.

A distribuição desses índices está diretamente ligada aos fatores sociais que influenciam diretamente na pandemia. Segundo estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), cerca de 45% da população preta e parda do Amazonas trabalha na informalidade, fator que atrapalha o isolamento social e as quarentenas necessárias para conter o avanço da doença.

A má distribuição de renda também é uma variável importante dessa equação. Em 2019, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pessoas da cor ou raça preta ou parda representava 85,9% das pessoas do grupo dos 10% da população com os menores rendimentos, e as pessoas brancas eram 10,8% desse grupo. Com menor renda, o acesso a serviços de saúde e alimentos também dificulta o enfrentamento contra a Covid-19 e se reflete diretamente na qualidade de vida dessas pessoas.

Foto: EBC

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