Ações de Bolsonaro aumentam suspeitas de interferência na Anvisa

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O presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) usou sua conta no Facebook na manhã desta terça-feira (10) para comemorar a morte de um dos participantes dos testes da vacina Coronavac. No texto em que comenta o incidente, que levou a Anvisa a suspender o ensaio clínico do composto, o presidente afirmou que o episódio é mais um em que “Jair Bolsonaro ganha”.

No final da manhã, foi revelado que morte do voluntário que participava dos testes da vacina Coronavac se deu por suicídio. A informação foi obtida com exclusividade pelo Jornal da Tarde e divulgada nesta terça (10), na TV Cultura, que teve acesso ao laudo do Instituto Médico Legal (IML).

No mesmo post, Bolsonaro cita o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), tido como adversário na corrida presidencial em 2022. A vacina CoronaVac, uma das que buscam a imunização contra o coronavírus, é desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, instituição pública vinculada à Secretaria de Saúde de São Paulo.

Na visão de Bolsonaro, o fracasso da vacina seria correspondente a uma “derrota política” de Dória, ainda que à custa de milhares de vidas de brasileiros.

Suspeitas graves

A sequência de eventos desta segunda-feira (09) levantou suspeitas de que Bolsonaro estaria influenciando politicamente a Anvisa para atrapalhar o andamento dos estudos da Coronavac e assim prejudicar politicamente João Dória. A cronologia dos fatos reforça essa tese.

Na manhã de segunda, o governador de São Paulo anunciou, na tradicional coletiva à imprensa com atualização dos dados, a chega das primeiras 120 mil doses da Coronavac ao estado, que marcaria o início da imunização contra a covid-19.

No começo da noite, Bolsonaro surpreendeu e afirmou que o governo federal iria comprar e disponibilizar qualquer vacina contra a covid-19 que passar pelo aval do Ministério da Saúde e certificada justamente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Passando pela [Ministério da] Saúde e sendo certificada pela Anvisa, o governo federal vai comprar e disponibilizar, disse Bolsonaro em live transmitida pelas redes sociais.

O fato causou estranheza, já que Bolsonaro deixou claro em diversas declarações públicas nas últimas semanas que não compraria doses da Coronavac, alegando desconfiança com a confiabilidade do composto por sua origem chinesa. Minutos depois, veio o comunicado com a suspensão do ensaio clínico.

Em coletiva realizada na manhã desta terça-feira (10/11), o governo de São Paulo e o Instituo Butantan se pronunciaram sobre o ocorrido. Segundo o diretor do Instituto, Dimas Covas, a Anvisa foi notificada do evento adverso no voluntário no dia 6 de novembro e somente ontem, data do anúncio das 120 mil doses e da declaração de Bolsonaro, veio a suspensão. E de maneira estranha, segundo ele.

“Esse encaminhamento foi feito dia 06. Ontem, às 20h40, encaminham um e-mail ao Butantan dizendo que haveria uma reunião hoje para tratar do evento adverso grave, mas ao mesmo tempo anunciava a suspensão do estudo. Oito e quarenta da noite, 20h40 da noite, 20 minutos depois essa notícia estava em rede nacional, 20 minutos depois de nós termos sido notificado por e-mail, a notícia estava em rede nacional”.

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