Anúncio da Pfizer é positivo, mas cientistas recomendam cautela

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A empresa norte-americana Pfizer anunciou nesta segunda-feira (09) que sua vacina experimental contra a covid-19 mostrou ser 90% eficaz na prevenção da doença, com base em dados iniciais de um estudo amplo. Apesar do anúncio animador, diversos pesquisadores brasileiros recomendaram calma.

“O anúncio é super promissor, no entanto, para essa análise preliminar espera-se pelo menos 150-160 eventos. Segundo a reportagem, 94 foram analisados até então. O resultado de 90% sem dúvida é positivo, porém, ainda precoce”, explica a neurocientista Mellanie Fontes-Dutra, coordenadora da Rede Análise Covid-19. Segundo a cientista, esses eventos são quando esses participantes se contaminam e vemos se a vacina foi capaz de protegê-los. Para determinar uma eficácia inicial, é necessário contabilizar entre 150-160 eventos.

Pode ser que a eficácia caia um pouco, mas 90% é ótimo e algo próximo ainda é ótimo. No caso da gripe, a vacina reduz hospitalização em ~40%, mas reduz internações em UTI em mais de 80%. A redução de casos graves de COVID, o gargalo, deve ser excelente.

Segurança

As empresas disseram que, até o momento, não encontraram nenhuma preocupação de segurança com a candidata a imunizante e que esperam pedir autorização para uso emergencial da vacina nos Estados Unidos (EUA) neste mês.

Se obtiver a autorização, o número de doses da vacina será limitado inicialmente. Uma das questões pendentes é por quanto tempo a vacina fornecerá proteção. No entanto, a notícia divulgada dá esperanças de que outras vacinas em desenvolvimento contra o novo coronavírus também possam se mostrar eficazes.

Brasil

Embora seja animadora do ponto de vista mundial, o anúncio ainda tem poucas perspectivas práticas para o Brasil. “Mesmo que a vacina da Pfizer seja, de fato, 90% eficaz, ela tem que ser armazenada a -80°C o que seria um desafio logístico praticamente intransponível para o Brasil”, alerta Vítor Mori, biomédico e pesquisador da Universidade de Vermont (EUA).

A tecnologia inovadora usada na produção desta vacina também representa um desafio para outros países. “Essa vacina é de RNA, ela usa o genoma do vírus pra nossas células fazerem a proteína Spike dele (a parte de fora) e o corpo atacar isso. É um método novo de vacinação e a produção disso é bem técnica e difícil de distribuir. Algumas vacinas como a Coronavac podem ser feitas em centros como Butantan. Essa de RNA pode não ser tão escalável. Vamos depender das 1,3 bilhão de doses que Pfizer e BioNTech podem fazer até o fim de 2021, o que vacinaria por volta de 500 milhões de pessoas (são 2 doses)”, explicou o biólogo Átila Iamarino.

Por outro lado, caso a vacina passe por todas as fases de aprovação e consiga registro junto ao Food and Drugs Administration (FDA), órgão que regulamenta medicamentos nos Estados Unidos, ela poderá ser incluída no  Instrumento de Acesso Global de Vacinas Covid-19 (Covax Facility). Mas, por enquanto, o melhor é ter paciência e continuar tomando os cuidados para evitar a contaminação.

“Se de fato for verdade a eficácia de 90% é uma ótima notícia mas não muda muito o panorama pra gente. Continuemos com as medidas de prevenção, usando máscara, evitando espaços mal ventilados e aglomerações”, sugere Vitor.

Foto: EBC

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