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O Multiverso chega às grandes produções de super-heróis

Durante esta semana, foi divulgado que o ator Jammie Foxx (Ray, O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro) poderia reprisar o papel do vilão Electro no Universo Cinematográfico da Marvel (MCU, em inglês). Somando ao anúncio do retorno de Michael Keaton ao papel de Batman no filme solo do Flash e ao nome do próximo filme do Doutor Estranho (No Multiverso da Loucura), Hollywood passa a incorporar o conceito de Multiverso aos filmes de super-herói, o que abre um grande e promissor leque de possibilidades.

O uso de realidades paralelas é bem antigo nos quadrinhos. Como personagens como Batman, Superman e Homem-Aranha tem mais de 60 anos de existência, muitos autores e desenhistas deram diferentes abordagens para cada um deles ao longo das décadas, matando e “ressuscitando” personagens, alterando origens e características de cada um. A primeira citação ao conteito de múltiplos universos aconteceu em 1953, na edição 59 da Mulher-Maravilha.

A cada mudança, ficava mais difícil para os leitores entenderem a linha conológica dos personagens, já que os eventos muitas vezes conflitavam entre vi. A primeira tentativa de “acertar” as histórias aconteceu em 1985, quando a DC Comics lançou a Saga Crise nas Infinitas Terras. Por anos, as mudanças estabelecidas na série foram mantidas, até 2006, quando a saga Crise Infinita, sequência direta dos eventos da primeira crise, trouxe de volta as múltiplas realidades, conceito que permanece até hoje.

A saga Crise nas Infinitas Terras mudou o mundo (ou mundos?) dos quadrinhos

Já na grande rival da DC, a Marvel, a primeira aparição do multiverso foi na série especial What If?, de 1977. Nela, foram explorada a possibilidade de existirem mundos paralelos com diferentes destinos de sagas famosas da editora. Mas foi em 1982, com a história Contest of Champions, que a Marvel passou a adotar oficialmente o multiverso.

Quadrinho tirado de “E se o Homem-Aranha tivesse ficado com a roupa alienígena?”

E se levassem o conteito para os live actions?

Apesar das críticas de parte dos fãs pela confusão de algumas narrativas, as diferentes versões das histórias sempre tiveram seu público cativo. Algumas foram sucessos de crítica e venda, inclusive. As versões alternativas de Batman e Wolverine em O Retorno do Cavaleiro das Trevas e Old Man Logan, por exemplo, fizeram tanto sucesso que ganharam continuações e até apareceram em outras HQ’s da DC e da Marvel. Justamente esses fãs sempre pediram e imaginaram adaptações live action (com atores) dessas histórias. Mas eles não são os únicos.

Antes do MCU, os filmes de super-herói adaptavam apenas histórias solo de cada personagem, sem nem ao menos citar outros integrantes dos quadrinhos. Muitas dessas adaptações marcaram época, como Superman (1977), Batman (1989) e mais recentemente X-Men (2000) e Homem-Aranha (2002). Com o sucesso dos Vingadores, as adaptações ganharam novo patamar e os fãs desses filmes de “velha guarda” também imaginaram que muitas dessas versões poderiam reaparecer nos atuais filmes de heróis.

Restava saber se o público em geral, que não tem familiaridade com quadrinhos e só acompanhavam os personagens no cinema, compraria a ideia. Também seria um desafio tornar uma história conceitos complexos de realidades paralelas, viagens no tempo, etc. em algo palatável em duas horas de cinema ou em séries de TV. Percebendo o potencial dessa ideia, as grandes produtoras promoveram alguns “testes”, como as produções Homem-Aranha no Aranhaverso e a adaptação do Canal CW, nos EUA, da clássica saga Crise nas Infinitas Terras. E o resultado superou todas as expectativas.

Aranhaverso foi a maior bilheteria americana para uma animação da Sony e de quebra faturou o Oscar de Melhor Animação em 2019. Já a Crise atraiu 1,67 milhão de telespectadores ao vivo nos EUA. Sutilmente, a Warner aproveitou o evento televisivo pra colocar sua semente do que virá no futuro. A participação do Flash de Ezra Miller na atração estabeleceu que todas as produções do estúdio estão “valendo” e podem ser usados no futuro. Não é por acaso que o filme do Velocista Escarlate trará de volta Michael Keaton ao papel de Batman, mais de 30 anos depois. E já incorporando o conceito de realidades paralelas à trama.

MCU ou MCM?

O MCU, por sua vez, também promete explorar bastante esse conceito no futuro. Até porque ele pode ajudar a resolver um antigo problema da Disney: os direitos do Homem-Aranha, que pertencem à Sony desde os anos 1990. Um acordo entre as duas empresas permitiu a aparição do personagem nos filmes da Marvel desde 2016, além de uma trilogia que se passa no mesmo universo do Homem de Ferro, Thor e companhia. No entanto, esse arranjo quase não foi renovado em 2019 e pode só ser válido até a o próximo filme do Aranha. Ou não.

Como sabemos, a Sony possui seu próprio catálogo de filme de personagens ligados ao Homem-Aranha. O primeiro a ganhar filmes foi Venom, que teria sua continuação este ano não fosse a pandemia do novo coronavírus. O segundo seria do vampiro Morbius. Ora, se os direitos são da Sony e o acordo vale apenas para o Homem-Aranha, então os filmes desses dois vilões não teriam nenhuma conexão com o filme do aracnídeo, muito menos com a Marvel, certo? Acreditava-se nisso até o primeiro trailer de Morbius, quando isso apareceu:

Pois é! Ao que parece, o acordo entre Marvel e Sony pode não apenas ter sido renovado como pode ser ainda mais ambicioso do que se imaginava. No trailer, o vilão Morbius (interpretado por Jared Leto) aparece com a imagem do Homem-Aranha (2002) ao fundo. Não dá pra imaginar que exatamente essa imagem foi fruto de descuido. Ao final do vídeo, Michael Keaton (ele de novo) que interpretou o vilão Abutre em Homem-Aranha: De volta ao Lar (2017), reaparece.

Os sinais são mais que claros. Somando essas duas aparições com as informações de que o Multiverso será tema central do novo filme do Doutor Estranho (está até no título) e a ligação direta desse filme com a série WandaVision, no serviço de streaming Disney+, a porta do Multiverso está escancarada. Não seria surpresa, inclusive, se Homem-Aranha no Aranhaverso 2 for incorporado a tudo isso.

Cuidado pra não desandar

A decisão de incorporar o conceito de multiverso abre infinitas possibilidades narrativas. Será possível agradar fãs de todas as idades, em especial os mais saudosistas. Imaginar Tobey Maguire contracenando com Andrew Garfield e Tom Holland no cinema é empolgante. Ou mesmo o premiado Coringa de Joaquin Phoenix encontrando o Batman de Christian Bale, por exemplo. Mas também é preciso tomar cuidado.

Embora a resposta de um público menos segmentado tenha sido positiva entre 2018 e 2019, é preciso não exagerar nas tramas. Se as histórias se tornarem muito confusas e ramificadas entre cinema, streaming e TV, o público pode se afastar. Sem contar que as histórias de heróis em live action ganharam força já há 20 anos. Claro que as histórias precisam se reinventar para manter o público engajado, mas sem nunca esquecer que ele está ali apenas pra se divertir.

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