Brasil

Moro não é um herói. É só um vilão coadjuvante

A palavra ética deriva do grego ethos (caráter, modo de ser de uma pessoa). Em linhas gerais, ética é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade. Embora ela não possa ser confundida com as leis, está relacionada com o sentimento de justiça social. Nenhum agente público que atue sem ética ou imparcialidade pode ser considerado um bom exemplo.

O episódio da saída do agora ex-ministro da Justiça Sérgio Moro do governo Bolsonaro vem sendo usado por diversos setores da sociedade para preparar o terreno para uma candidatura do ex-magistrado à presidência nas eleições de 2022. Na verdade, essa imagem já vem sendo construída há anos, desde o início da controversa Operação Lava Jato. Desde o início das investigações, Moro sempre estampou capas de jornais, revistas e estrelou noticiários que exploraram ao máximo suas decisões. Mas não é preciso ir longe para mostrar que muitas das suas ações são, pra dizer o mínimo, questionáveis.

E não, esse não será um espaço para defender o ex-presidente Lula. Simplesmente porque não é preciso. A culpa ou inocência de Lula é secundária. O que importa é a forma como o processo contra ele foi conduzido, seu contexto político e o papel do então juiz Sérgio Moro.

Mesmo uma pessoa com todas as evidências de ser culpada de um crime bárbaro precisa ser julgada dentro da lei, sob rígidos princípios éticos. Sob pena inclusive de não receber a pena que corresponda ao seu débito para com a sociedade e do processo perder a legitimidade.

Ao condenar um candidato que figurava como favorito nas intenções de voto para presidente da república, tirando-o assim da disputa, para logo em seguida se tornar ministro do opositor destrói qualquer justificativa moral que envolva o nome de Sérgio Moro. Mas as atitudes execráveis de Moro não ficam apenas no passado.

Em um exemplo mais recente, vem a seguinte pergunta: se a pressão de Bolsonaro para substituir o ex-superintendente da Polícia Federal, Marcelo Valeixo, vinha desde agosto de 2019 e tinha intenções políticas, por que Moro apenas agora pediu exoneração somente porque a ameaça foi cumprida? Ou seja, Moro aceitaria tranquilamente a tentativa de Bolsonaro de interferir na PF tranquilamente, desde que Valeixo não fosse demitido?

A sociedade não pode perde as ações criminosas de Sérgio Moro. O fato do presidente Bolsonaro cometer crimes de resposabilidade em escala industrial não isenta o ex-juiz de participação nos mesmos. Até porque, não fosse o episódio de Valeixo, Moro continuaria lá, silenciando, por exemplo ao crime contra a saúde pública promovido por Bolsonaro a incentivar o fim do isolamento social diante de uma das maiores pandemias da história.

Moro não é um herói. É só um vilão coadjuvante.

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