Cotidiano

Tudo que você precisa saber sobre o novo coronavírus

Na última quarta-feira (11), a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto de coronavírus como uma pandemia. O termo é utilizado quando uma epidemia – grande surto que afeta uma região – se espalha por diferentes continentes com transmissão sustentada de pessoa para pessoa. Atualmente, há mais de 115 países com casos declarados da infecção.

A cada dia novos casos de Covid-19, doença respiratória causada pelo novo coronavírus, se confirmam no mundo. Até a tarde desta quinta-feira (12), o Brasil registrava chegou a 98. Foram 21 pessoas infectadas a mais do que o último dado, anunciado na última quinta-feira (12). Os casos suspeitos aumentaram para 1.485. Os descartados ficaram em 1.344.

Nesta sexta-feiras, o primeiro caso de coronavírus na região Norte do país foi confirmado, em Manaus. Uma paciente de 39 anos vinda de Londres testou positivo para o novo convid-19. No mesmo dia, foi confirmado que o Brasil teve os primeiros casos de transmissão comunitária da doença.

De acordo com a última atualização do Ministério da Saúde, essa nova situação foi registrada nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. Transmissão comunitária ocorre quando as equipes de vigilância não conseguem mais mapear a cadeia de infecção, não sabendo quem foi o primeiro paciente responsável pela contaminação dos demais.

Mas afinal, o que é esse novo coronavírus? Quais as diferenças dele em relação a outras doenças do gênero? O que devemos fazer? O Vocativo.com reuniu todas essas e outras perguntas, ouviu vários especialistas e trouxe as respostas. Confira abaixo:

O que se sabe até agora sobre o novo coronavírus?

O novo coronavírus (SARS-Cov-2) causa a doença denominada Covid-19, teve início na China, em dezembro de 2019. “Trata-se de uma família de vírus que já é conhecida desde a década de 1960 e que causam doença respiratória geralmente leve e quadros abdominais. Estes vírus também são encontrados frequentemente em várias espécies de animais que vão desde cobras, morcegos até baleias. Este novo vírus possivelmente se origina de animais (possivelmente os morcego) e que uma vez tendo contaminado humanos, o que não é comum, a infecção se disseminou para a comunidade”, explica Maria Lúcia Neves Biancalana, infectologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Qual a diferenças dele para outras doenças?

Os sinais e sintomas são muito semelhantes aos de outras doenças respiratórias virais: febre, coriza, tosse, dor de garganta, etc. Em alguns pacientes podem aparecer também sintomas gastrointestinais, tais como diarreia e vômitos. “O novo coronavírus tem uma taxa de letalidade maior em populações mais idosas e em muitos casos infectando pessoas de forma assintomatimatica ou com sintomas similares a uma gripe comum”, explica a infectologista Susanne Edinger, da rede de clínicas Cia da Consulta.

Ele é mais letal do que outras doenças similares?

“A experiência adquirida até o momento tem mostrado que em 80% dos casos, a doença é leve; mas para determinados grupos de pessoas, a mortalidade é elevada. Neste grupo estão incluídos idosos (>80 anos) e/ou portadores de comorbidades: doenças pulmonares, doenças cardiovasculares, imunossuprimidos. A mortalidade da doença em crianças e adultos jovens é extremamente baixa”, afirma Biancalana.

De acordo com a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas, que enviou nota em resposta aos questionamentos do site, as primeiras evidências são de que a Covid-19 mata menos que os outros vírus da família coronavírus. Por outro lado, o vírus está se comportando de forma diferente, por exemplo, a letalidade na China é menor do que está ocorrendo na Itália e no Irã, países com maior número de casos da doença fora da China. Por isso, as atualizações epidemiológicas ocorrem a todo momento.

A preocupação das autoridades é justificada?

“Sim. Se as medidas cautelares não são precoces as autoridades perdem o domínio da situação. Sabemos que temos um sistema de saúde pública frágil e o aumento desproporcional entre o número de casos graves e número de leitos de uti’s por exemplo pode gerar um colapso na saúde. Medidas de precaução e prevenção com ações voltadas para a assistência e suporte diagnóstico fazem toda a diferença. Quanto mais você prevê e se antecipa ao problema melhor sua resposta a ele”, afirma Susanne Edinger.

“A maior preocupação decorre da transmissibilidade da doença: um indivíduo infectado pode transmitir para 2-3 pessoas. Se um grande contingente de pessoas se infecta, o risco de atingir as pessoas mais vulneráveis é elevado e isso pode ocasionar aumento do número de internações em hospital e UTIs”, explica Biancalana.

“A preocupação das autoridades da saúde e sociedade é justificada por se tratar de um novo vírus e o comportamento dele na população atingida variar. Em grandes emergências de saúde pública, os epidemiologistas devem pensar em diversos cenários e como o setor da saúde pode agir diante do pior deles. Portanto, faz parte do papel das autoridades em saúde pública se antecipar a isso”, explicou a FVS em resposta ao Vocativo.com.

Quais são os sintomas?

Os sintomas do Covid-19 envolvem febre, cansaço e tosse seca. Parte dos pacientes pode apresentar dores, congestão nasal, coriza, tosse e diarreia. Alguns pacientes podem ser assintomáticos, ou seja, estarem infectados pelo vírus, mas não apresentarem sintomas. O Ministério da Saúde estima que os pacientes mais jovens são os mais passíveis de não apresentar qualquer sinal da doença.

Qual o período de incubação do vírus?

De acordo com a OMS, a estimativa é que o período de incubação seja de 1 a 14 dias. Ou seja, o vírus teria esse tempo para se manifestar. O mais comum é a manifestação por volta de cinco dias. Mas há pessoas que não apresentam sintomas.

Quais são os maiores problemas e os públicos mais vulneráveis?

A OMS calcula que 1 em cada 6 pacientes pode ter um agravamento do quadro, com dificuldades respiratórias sérias. No início de março, a taxa de letalidade era de 3,5%. Mas o Ministério da Saúde suspeita que pode ser menor, em razão de haver subnotificação dos casos em alguns países. Os públicos mais vulneráveis são idosos e pessoas com doenças crônicas (diabetes, pressão alta e doenças cardiovasculares).

Como ocorre a transmissão?

O contágio ocorre a partir de pessoas infectadas. A doença pode se espalhar desde que alguém esteja a menos de 2 metros de distância de uma pessoa com a doença. A transmissão pode ocorrer por gotículas de saliva, espirro, tosse ou catarro, que podem ser repassados por toque ou aperto de mão, objetos ou superfícies contaminadas pelo infectado.

O novo coronavírus pode ser transmitido pelo ar?

O novo coronavírus não é transmitido pelo ar a menos que um indivíduo chegue próximo a um paciente infectado a ponto de as formas de contaminação serem possíveis.

É possível pegar o Covid-19 de alguém sem sintomas?

De acordo com a OMS, as chances são pequenas, pois o vírus é transmitido por saliva, espirro, tosse ou catarro, elementos mais presentes quando uma pessoa está com gripe.

Animais de estimação podem transmitir o novo coronavírus?

Não. Não há evidência de que animais de estimação como gatos e cachorros tenham sido infectados ou possam espalhar o vírus que causa a Covid-19.

Quanto tempo o vírus pode durar em uma superfície?

A OMS informa que não há um tempo determinado, podendo ser de algumas horas a alguns dias. Pode haver diferença também em razão de condições como a temperatura. Por isso, caso alguém suspeite da contaminação de uma superfície ou objeto, a orientação é aplicar desinfetante.

Quais são as medidas de prevenção ao Covid-19?

O Ministério da Saúde explica que não há medicamento, substância, vitamina, alimento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo novo coronavírus e indica as seguintes medidas de prevenção:

  • lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, ou usar desinfetante para as mãos à base de álcool quando a primeira opção não for possível;
  • evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas;
  • evitar contato próximo com pessoas doentes;
  • ficar em casa quando estiver doente;
  • usar um lenço de papel para cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar, e descartá-lo no lixo após o uso;
  • não compartilhar copos, talheres e objetos de uso pessoal;
  • limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência.
  • manter ambientes bem ventilados e higienizar as mãos após tossir ou espirrar.

O uso de álcool gel para prevenção ao coronavírus é eficaz?

Sim. De acordo com o Conselho Federal de Química, o álcool gel é “eficiente desinfetante de superfícies/objetos e antisséptico para a pele”. O grau alcóolico recomendado para o efeito é de pelo menos 70%.

Preciso usar máscara para me proteger?

A máscara não tem efeito algum para pessoas sem o vírus. Ela deve ser utilizada por quem apresenta sintomas da doença, pois previne que alguém infectado espalhe o vírus e venha a contaminar outras pessoas. O uso também é recomendado para pessoas que tenham contato com indivíduos com suspeita ou confirmação do novo coronavírus. Máscaras também devem ser usadas por profissionais de saúde que atuem em locais com pacientes com suspeitas ou sintomas. Após o uso, a orientação é descartar a máscara em local adequado e lavar as mãos.

Estou com tosse, febre e dores. Preciso fazer exames para detectar se estou com Covid-19?

Pessoas que apresentem sintomas da doença devem procurar orientação médica, em especial, os postos de saúde. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 42 mil postos de saúde espalhados pelo país são capazes de atender 90% dos casos de coronavírus. Estudos indicam que a grande maioria dos casos de Covid-19 são mais leves e poderiam ser atendidos nesse nível de atenção. A população pode buscar os serviços quando apresentar os sintomas iniciais do vírus, como febre baixa, tosse, dor de garganta e coriza. A partir do relato do paciente é que o médico decidirá sobre a necessidade de se fazer o teste para Covid-19. Atualmente, a recomendação das autoridades sanitárias é que sejam testados apenas os pacientes com sintomas respiratórios e que tenham tido contato com alguém infectado ou que tenham viajado para uma região onde há transmissão da doença. O exame só pode ser feito com solicitação médica. Ele é feito por hospitais públicos e privados e confirmado por laboratórios de referência espalhados pelo Brasil. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) anunciou que os planos de saúde deverão cobrir os testes realizados na rede privada.

Que instituições podem realizar os testes para Covid-19?

O teste é realizado após avaliação clínica do médico e a pedido dele. A pessoa deve procurar os postos de saúde mais próximos. Até a próxima semana, todos os 27 Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACENs) do país estarão aptos a realizar a testagem para o coronavírus, segundo o Ministério da Saúde. A capacitação dos laboratórios estaduais está sendo realizada pelo Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que atua como Centro de Referência Nacional em vírus respiratórios junto ao Ministério da Saúde e integra o esforço nacional de vigilância e monitoramento dos casos de coronavírus. Atualmente, além dos laboratórios de referência nacional para testagem do coronavírus, a Fiocruz, no Rio de Janeiro, o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, e o Instituto Evandro Chagas (IEC), no Pará, os laboratórios centrais de São Paulo, Pará, Goiás e o Rio Grande do Sul já foram capacitados e estão testando para a doença.

Existe tratamento para a doença?

Segundo a OMS, 80% das pessoas se recuperam sem precisar de tratamento especial. Não há uma medicação que elimine o vírus. Mas há tratamento para mitigar o avanço da doença e diminuir o desconforto.

Antibióticos ou vitamina D previnem ou curam o novo coronavírus?

Não. Antibióticos não atuam contra o vírus. Da mesma forma, não há evidências científicas que atestem qualquer impacto sobre o vírus de doses de vitamina D.

Voltei de uma viagem internacional e visitei um país com casos de coronavírus. O que preciso fazer?

Caso apresente sintomas, procure uma unidade de saúde e informe a situação para receber orientação médica. A recomendação do Ministério da Saúde é esperar pelo menos 14 dias para avaliar a evolução do quadro de saúde.

O Álcool gel é mais eficiente do que lavar as mãos?

Segundo o Ministério da Saúde, o álcool gel tem a vantagem de não apenas higienizar as mãos, mas também objetos com o qual a pessoa teve contato. Isso é especialmente importante para objetos e superfícies compartilhadas por várias pessoas, como em locais de trabalho. Contudo, na higienização das mãos, o ato de lavá-las corretamente (por bastante tempo e de forma detalhada, entre os dedos e debaixo das unhas) é suficiente. Entretanto, a orientação do Ministério é que esse procedimento ocorra diversas vezes ao dia. Quem desejar aplicar também o álcool gel ganha um reforço a mais na proteção, mas esta não é uma condição para a higienização das mãos.

Foto: EBC

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