Opinião

Com reeleição distante, Bolsonaro se torna mais perigoso do que nunca

Na mais recente pesquisa divulgada pelo instituto Datafolha na noite desta quinta-feira (26/05/2022) o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 54% das intenções de voto para presidente da República na eleição geral deste ano. Caso o levantamento se confirme, Lula venceria a disputa já no primeiro turno. Isso deve fazer o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) radicalizar seu discurso de vez, tornando o tenso processo eleitoral deste ano ainda mais perigoso.

Bolsonaro sempre demonstra ter dois planos para este ano. O Plano A e o Plano B. O primeiro seria o mais simples e fácil: se manter no poder via reeleição, sem precisar apelar para a força, ainda que pra isso tenha aberto o cofre, inclusive com sério risco de armar uma bomba fiscal. Com benefícios como o Auxílio Brasil e o Vale Gás não se revertendo em popularidade, a via eleitoral parece fechada para o presidente. Resta então o Plano B.

Prefiro chamar de Plano B a golpe, não porque Bolsonaro não queira o golpe – ele adoraria, aliás – mas teria muitos problemas para sustentá-lo. As próprias forças armadas não dão sinal de que apoiariam, não por consciência de dever, mas porque perderiam dinheiro. Se um golpe clássico não parece possível, manter o país em cativeiro, coagido, sob comando de uma milícia armada não parece impossível. E aí entra em cena um outro elemento: as polícias.

Pode parecer algo completamente desconexo ou até coincidência, mas a perspectiva de derrota de Bolsonaro nas eleições vem crescendo nos últimos meses juntamente com a letalidade e a subversão das polícias pelo país. No Rio de Janeiro, as duas maiores chacinas policiais da história aconteceram entre 2021 e 2022. Não por acaso nas duas os comandantes das forças atacaram sem nenhum pudor o velho inimigo do presidente: o Supremo Tribunal Federal (STF). Não é coincidência.

Desde o motim de policiais militares no Ceará, em fevereiro de 2020, existe o temor de que o alinhamento ideológico das polícias com o bolsonarismo resulte em algo semelhante ao que aconteceu nos Estados Unidos em janeiro de 2021. E se você tem policiais rodoviários executando pessoas com requintes de crueldade na frente de celulares por motivos banais em plena luz do dia, por que não fariam isso em nome de “Deus, Pátria e Família”?

Mais do que politicamente, Bolsonaro sabe que precisa manter o foro privilegiado por sobrevivência. Para isso precisa desesperadamente da Polícia Federal totalmente aparelhada e paralisada. Uma vez que a corporação e a Procuradoria Geral da República estiverem nas mãos de pessoas minimamente sérias, ele e seus filhos serão presa fácil diante dos crimes cometidos antes e durante a pandemia.

Os nossos olhos agora devem ficar nas polícias e no Congresso. Algumas vezes seus aliados tentaram sorrateiramente passar na Câmara projetos relacionados ao terrorismo que colocam o comando das forças policiais do país nas mãos de Bolsonaro. Não resta dúvidas de que, se as polícias pudessem se rebelar mantendo seus salários, não existiria democracia mais no Brasil. E como a reeleição parece cada vez mais distante, certamente será essa carta que Bolsonaro usará.

1 comentário

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: