Amazonas

AM: vice assume, tenta exonerar secretário e é acusado de fraude pelo governo

O governo do Amazonas acusa o vice-governador Carlos Almeida Filho (PSDB) de fraudar documento para tentar exonerar o Secretário de Segurança Pública do estado, coronel Louismar Bonates, alvo de uma série de denúncias de irregularidades

Em mais uma crise envolvendo a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, o governo do estado acusa o vice-governador Carlos Almeida Filho (PSDB) de fraudar documento público para tentar exonerar o titular da pasta, coronel Louismar Bonates. Almeida, que assumiu o executivo em virtude de viagem do governador Wilson Lima a Brasília, tentou nomear o delegado Mário Jumbo Aufiero para o cargo. Como o ato não foi publicado no Diário Oficial, ele não tem validade.

Segundo nota enviada pela Secretaria de Comunicação do Estado (Secom), o vice-governador e um funcionário comissionado da Casa Civil não identificado teriam criado o documento sem conhecimento do chefe da própria Casa Civil e do governador Wilson Lima. Almeida, por sua vez, se defende e afirma que como assumiu a titularidade do governo, teria poder legal para fazê-lo.

No decreto que circula nas redes sociais, Carlos Almeida Filho cita os ataques criminosos registrados no início de junho que, segundo ele, “tiveram como motivação o suposto envolvimento do titular da pasta” em possíveis delitos. Na ocasião, circularam vídeos na internet onde integrantes da facção Comando Vermelho, a quem foi atribuída a autoria dos atentados, cita o nome de Bonates.

A chacina ocorrida no em junho no município de Tabatinga, no interior do Amazonas e que resultou na morte de sete jovens também seria um dos motivos, além dos acontecimentos trazidos a público pela Operação Garimpo Urbano. Nela, foi preso o então secretário adjunto de inteligência, Samir Freire. Ele foi acusado de chefiar uma quadrilha dentro da própria secretaria para extorquir garimpeiros.

O vice-governador também alegou no documento que o crime organizado “consolidou-se” em Manaus e Região Metropolitana “em virtude da flagrante ausência das forças de segurança do Estado, em especial da Secretaria de Estado de Segurança Pública”. Ainda segundo a publicação, o serviço de Inteligência do Estado não antevê fatos e acontecimentos.

No entanto, segundo a nota enviada pelo governo, o documento não chegou a ser publicado e por isso não teria validade e efeito. O governo afirmou que o servidor será exonerado, suas as senhas de acesso ao sistema de governo foram canceladas e proibido de entrar na Casa Civil. A Secretaria de Comunicação afirmou ainda que caso foi encaminhado à polícia.

O ato com a demissão de Bonates não chegou a ser publicado em versão impressa no DOE (Diário Oficial do Estado) ou mesmo na internet. Até o fechamento desta matéria, a última edição impressa disponível na Imprensa Oficial do Estado é do dia 19 de julho.

Figuras polêmicas

Carlos Almeida Filho rompeu relações com o governador Wilson Lima em maio de 2020, após a primeira fase da Operação Sangria, da Polícia Federal, que revelou esquema de superfaturamento na compra de respiradores pelo governo durante a primeira onda da pandemia da Covid-19 no estado. Almeida chegou a ser denunciado pela Procuradoria Geral da República no mesmo processo, mas seu nome acabou retirado.

O coronel Louismar Bonates, por sua vez, também é uma figura bastante controversa dentro do governo Wilson Lima. Além da chacina ocorrida em Tabatinga em junho deste ano, outra ação da PM em outubro de 2019 resultou na morte de 17 pessoas. Segundo investigação do Ministério Público do Amazonas, há sinais de execução, inclusive de adolescentes.

Ainda em 2019, segundo a Folha de São Paulo, interceptações telefônicas da Polícia Federal colocam o atual secretário de Segurança Pública do Amazonas no centro de um escândalo. Em 2005, ainda na ativa na PM, Bonates foi um dos alvos de interceptações telefônicas da PF que deram base a uma operação policial que levou à prisão um grupo de PMs suspeito de ligação com extermínio de pessoas.

Segundo relatório da Polícia Federal publicado pela Folha, o nome do atual secretário é citado 1.875 vezes em diversas situações, entre elas falando com o amigo Felipe Arce Rio Branco, tenente-coronel e ex-chefe do serviço de inteligência da PM à época.

As gravações apontam ligação de Bonates e de Arce com o então deputado Wallace Souza (1958-2010), apresentador do programa de TV “Canal Livre”, e suspeito de mandar matar pessoas para aumentar audiência na TV. Wallace foi tema de um documentário da Netflix, “Bandidos da TV”, que reconstrói a trajetória do apresentador. Arce é outro que aparece no documentário.

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