Manaus, 14 de outubro de 2026 – O candidato a deputado estadual pelo Partido Liberal (PL), Kidson Maia, recebeu R$ 1 milhão em recursos públicos do partido para financiar a campanha eleitoral de 2026 e obteve 38.549 votos, segundo dados da Justiça Eleitoral. O policial militar é acusado pela deputada estadual Alessandra Campelo (PSD), candidata a vice-governadora na chapa de Omar Aziz (PSD), de fazer gestos que ela interpretou como ameaças de morte. Kidson gesticulou cortar a garganta para Campelo, nos bastidores do debate entre os candidatos ao Governo do Amazonas, na manhã de terça-feira, 13, promovido pela TV Norte Amazonas. Nessa quarta-feira, Kidson gravou um vídeo no qual debocha da denúncia.
Após o episódio, Alessandra afirmou que pretende denunciar o caso à Polícia Civil e à Justiça, além de solicitar medidas de proteção. A parlamentar declarou que possui imagens do ocorrido e que se sentiu ameaçada diante de outras pessoas e profissionais de comunicação que acompanhavam a movimentação nos bastidores do evento.

Os dados da prestação de contas parcial apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o candidato recebeu R$ 1 milhão do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), distribuído pela direção nacional do PL. O valor corresponde à totalidade dos recursos registrados na prestação de contas consultada, sem doações de pessoas físicas ou dinheiro próprio declarado para a campanha.
Recursos públicos e resultado nas urnas
De acordo com os dados eleitorais, Kidson Maia recebeu R$ 1 milhão do fundo público destinado ao financiamento de campanhas. O demonstrativo consultado, atualizado em 29 de agosto de 2026, não registrava despesas contratadas ou pagas, nem valores destinados a fornecedores até aquela data.
O documento também não apontava dívidas ou sobra financeira. Os registros se referem à prestação de contas parcial e ao período abrangido pela consulta, portanto não permitem afirmar que o candidato não tenha realizado despesas posteriormente ou que os recursos tenham permanecido sem utilização durante toda a campanha.
Na eleição para deputado estadual no Amazonas, Kidson obteve 38.549 votos e ficou na condição de suplente do PL, conforme o mapa consolidado de apuração apresentado no relatório eleitoral. O limite de gastos autorizado para campanhas ao cargo no primeiro turno era de R$ 1.270.629,01.
Na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral, o candidato informou patrimônio total de R$ 25 mil, correspondente à participação de 25% na empresa Escudeiro Serviços Terceirizados Ltda. O valor declarado equivale a um quarto do capital social de R$ 100 mil informado nos documentos empresariais.

Empresa tem filho de Kidson como administrador e Salazar como sócio
Registros da Junta Comercial do Estado do Amazonas (Jucea) mostram que Kidson Maia é sócio da Escudeiro Serviços Terceirizados Ltda. desde a constituição da empresa, em maio de 2024. O negócio atua em serviços de apoio a edifícios, limpeza de prédios e domicílios e atividades paisagísticas, e tem sede em Manaus.
A empresa foi criada por Kidson Maia e seu filho, Kidson Maia de Souza Junior, que detinham, inicialmente, 50% das quotas cada um. Uma alteração contratual assinada em 14 de novembro de 2024 transferiu 25% do capital da empresa, equivalentes a R$ 25 mil, para o então candidato a deputado estadual Alexandre da Silva Salazar. Após a mudança, Kidson Maia passou a deter 25% das quotas, o filho permaneceu com 50% e Salazar ficou com os outros 25%. Os dois integrantes da família mantiveram, juntos, 75% do capital social da empresa.
O contrato social estabelece que Kidson Maia de Souza Junior é o administrador da empresa, com poderes para representar a sociedade, movimentar contas bancárias, realizar transferências, contratar empréstimos e gerir investimentos. Kidson Maia e Alexandre da Silva Salazar aparecem como sócios, sem poderes de administração direta previstos no documento.
A alteração contratual foi registrada na Jucea em 19 de novembro de 2024. Os documentos consultados identificam a composição societária e a divisão das responsabilidades administrativas, mas não apresentam, por si só, informações sobre contratos públicos, receitas da empresa ou eventual relação entre as atividades empresariais e o financiamento eleitoral.

Kidson e Salazar debocham de denúncia
Em vídeo publicado na manhã desta quarta-feira, 14, o candidato a deputado estadual pelo PL, Kidson Maia, e o deputado estadual eleito Sargento Salazar debocharam da denúncia de ameaça feita pela deputada estadual Alessandra Campelo (PSD), candidata a vice-governadora na chapa de Omar Aziz (PSD). Na gravação, Kidson negou ter ameaçado a parlamentar e afirmou que os gestos foram uma reação a uma fala atribuída a um adversário político durante o debate eleitoral.
“Em momento algum eu te ameacei! Para de mimimi, tá?”, declarou Kidson, que também comparou os gestos a comemorações de jogadores de futebol. O candidato afirmou que a denúncia seria uma tentativa de “jogar sujo” contra ele e Salazar, sem apresentar, no trecho transcrito, outros elementos que comprovassem sua versão.
Na sequência, Salazar dirigiu ataques pessoais à deputada e afirmou que ela estaria desempregada em janeiro. “Passa pano, Alessandra Campelo, passa pano. Em janeiro tu vai estar desempregada”, disse. O parlamentar também criticou a atuação política da deputada e mencionou os governos de Wilson Lima e Roberto Cidade, enquanto repetia expressões depreciativas contra ela.
Deputada diz que vai denunciar o caso
Alessandra Campelo apresentou as imagens do episódio às autoridades e afirmou que vai buscar providências nas esferas criminal e judicial. “Eu me senti ameaçada naquele momento”, declarou Alessandra ao relatar o ocorrido à imprensa. Em publicação sobre o episódio, a parlamentar também afirmou: “Eu vou agora na delegacia da mulher, vou fazer uma denúncia, vou pedir inclusive uma medida protetiva contra essas pessoas, porque a gente não pode brincar. Feminicídio, crime contra a mulher, é uma realidade que eu vivo e combato todos os dias. Isso não vai ficar impune”.
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