Manaus, 14 de outubro de 2026 – Manaus apresentou níveis de poluição superiores aos de metrópoles como Délhi, na Índia, e Pequim, na China, segundo dados da plataforma global IQAir levantados na manhã desta quarta-feira, 14. A capital do Amazonas registrou 169 pontos no índice de qualidade do ar, com concentração de partículas finas suspensas no ar chegando a 76,5 microgramas por metro cúbico. A medição equivale a 15 vezes a diretriz anual de qualidade do ar recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O cenário ocorre em meio ao aumento das queimadas no Amazonas, que já soma 7.815 focos de calor em 2026, alta de 116,42% em relação ao mesmo período de 2025, conforme dados do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). O índice registrado em Manaus foi classificado como insalubre, faixa que indica riscos à saúde associados à exposição à poluição atmosférica. No levantamento de grandes cidades monitoradas pela IQAir, Délhi e Hanói registraram 157 pontos, Wuhan marcou 154, Pequim chegou a 153 e Jacarta apresentou 142 pontos, todos abaixo do índice da capital amazonense na janela de monitoramento entre 8h e 9h.
Um mapa de dispersão atmosférica consultado no sistema Windy indicou concentração de monóxido de carbono de 639 partes por bilhão por volume sobre Manaus. O gás é liberado pela combustão incompleta de materiais, incluindo vegetação, e pode prejudicar o transporte de oxigênio pelo sangue; entretanto, a leitura isolada do mapa não permite determinar a origem exata do gás nem comprovar, por si só, a trajetória da fumaça até a capital.

Manaus lidera ranking brasileiro de poluição
No levantamento nacional da IQAir, Manaus ocupou o primeiro lugar entre as capitais brasileiras monitoradas, com 169 pontos. Porto Velho, em Rondônia, apareceu em seguida, com 71 pontos, enquanto Rio Branco, no Acre, registrou 56; Brasília marcou 52; São Paulo, 42; e Belém, 36 pontos.
As medições de três estações instaladas na área urbana também apontaram níveis elevados de poluição em diferentes setores da cidade. A estação da Fundação Amazonas Sustentável registrou 160 pontos, enquanto os equipamentos localizados no Centro de Manaus e no Parque Dez de Novembro marcaram 158 pontos cada.
O principal poluente identificado foi o material particulado fino, formado por partículas microscópicas que permanecem suspensas no ar e podem penetrar profundamente nos pulmões. A exposição a esse material está associada a danos à saúde, especialmente no sistema respiratório e cardiovascular, e exige atenção quando as concentrações atingem níveis elevados.
A diretriz anual da Organização Mundial da Saúde para esse poluente é de 5 microgramas por metro cúbico. A concentração registrada em Manaus, de 76,5 microgramas por metro cúbico, corresponde a 15,3 vezes esse valor de referência, embora a comparação entre uma medição pontual e uma diretriz anual não represente, por si só, uma avaliação da exposição média ao longo de um ano.
Amazonas acumula alta de queimadas em 2026
O painel do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas contabilizou 7.815 focos de queimadas no Estado entre 1º de janeiro e 12 de outubro de 2026, aumento de 116,42% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Amazonas respondeu por 14% dos 54.067 focos registrados na Amazônia Legal durante o período considerado pelo levantamento.

Dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), com base no satélite de referência utilizado na série histórica iniciada em 1998, apontaram 7.865 focos de calor no Amazonas até 13 de outubro. Somente nos primeiros 13 dias de outubro, foram registrados 1.608 focos, número superior à média histórica de 1.433 ocorrências para o mês inteiro e 83,98% acima dos 874 focos contabilizados em outubro de 2025.
A distribuição territorial dos registros indica concentração no Sul do Amazonas e na Região Metropolitana de Manaus. Essas duas regiões reuniram 5.738 focos, equivalentes a 73,4% do total estadual informado no painel do Ipaam, sendo 3.714 no Sul do Estado e 2.024 na Região Metropolitana.
O levantamento também aponta que 79% dos incêndios se concentraram em assentamentos rurais e terras públicas não destinadas. Desse total, 28% ocorreram em assentamentos, 26% em glebas federais e 25% em glebas estaduais, segundo a classificação apresentada pelo órgão ambiental.
Entre as áreas específicas, o Projeto de Assentamento Rio Juma registrou 547 focos de calor. Apuí liderou o levantamento municipal, com 983 focos, seguido por Novo Aripuanã, com 860; Lábrea, com 718; Autazes, com 532; e Boca do Acre, com 406 ocorrências.
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