Manaus, 8 de outubro de 2026 – As pesquisas dos cinco principais institutos nacionais erraram o resultado do primeiro turno da eleição presidencial de 2026 e subestimaram a votação de Flávio Bolsonaro (PL). A comparação considera dados divulgados por Datafolha, Quaest, CNT/MDA, BTG/Nexus e Meio/Ídea e mostra que a votação de Flávio ficou acima das estimativas apresentadas, com diferenças que chegaram a mais de sete pontos percentuais em relação a determinados levantamentos.
O cruzamento dos levantamentos da reta final com a totalização de 100% das urnas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que Flávio terminou em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou em segundo, com 45,16%, diferença de 1,87 ponto percentual. Os levantamentos analisados haviam indicado Lula na liderança na reta final da campanha, com Flávio Bolsonaro em segundo lugar.

Pesquisas indicavam Lula à frente
No levantamento do Datafolha realizado de 29 de setembro a 1º de outubro, Lula aparecia com 45% dos votos válidos, contra 40% de Flávio Bolsonaro, com margem de erro de dois pontos percentuais. A pesquisa ouviu 2.506 eleitores em 152 municípios e estava registrada no TSE.
Na comparação com o resultado oficial, os 45% atribuídos a Lula ficaram apenas 0,16 ponto percentual acima dos 45,16% registrados nas urnas. Já os 40% estimados para Flávio ficaram 7,03 pontos percentuais abaixo dos 47,03% efetivamente obtidos pelo candidato do PL.
O Datafolha, porém, realizou outro levantamento nos dias 2 e 3 de outubro, divulgado em 4 de outubro, no qual Flávio havia avançado para 42% dos votos válidos, enquanto Lula permanecia com 45%. Nesse levantamento, os dois apareciam dentro da margem de erro, e o resultado também não apontava Flávio na primeira colocação.
A pesquisa da Quaest, realizada nos dias 2 e 3 de outubro, projetava 48% para Lula e 43% para Flávio Bolsonaro em votos válidos, segundo os dados fornecidos no levantamento analisado. Na comparação com as urnas, Lula ficou 2,84 pontos percentuais abaixo da estimativa, enquanto Flávio terminou 4,03 pontos acima.
O levantamento CNT/MDA, realizado entre 30 de setembro e 2 de outubro, indicava Lula com 47,8% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro com 42,1%. O resultado oficial mostrou uma diferença de 2,64 pontos percentuais para menos no percentual de Lula e de 4,93 pontos percentuais para mais na votação de Flávio.
Na pesquisa BTG/Nexus, realizada entre 18 e 20 de setembro por telefone, Lula aparecia com 41% dos votos totais e Flávio Bolsonaro com 37%. Na conversão apresentada no relatório para votos válidos equivalentes, os percentuais correspondiam a aproximadamente 43,6% para Lula e 39,4% para Flávio, abaixo dos percentuais registrados posteriormente nas urnas.
O levantamento Meio/Ídea, realizado entre 4 e 7 de setembro, apontava Lula com 38,4% e Flávio Bolsonaro com 37,3% dos votos totais. A diferença de 1,1 ponto percentual configurava, naquele momento, um cenário de empate técnico, mas a ordem dos candidatos também era inversa à registrada na apuração oficial de 4 de outubro.

Diferenças ultrapassaram margens declaradas
O cruzamento dos dados mostra que Flávio Bolsonaro recebeu nas urnas mais votos do que as estimativas dos levantamentos analisados. Nos estudos em que foi possível comparar diretamente os percentuais de votos válidos, as diferenças informadas variaram de 4,03 a 7,03 pontos percentuais, acima das margens de erro declaradas nas respectivas pesquisas.
No Datafolha de 29 de setembro a 1º de outubro, a diferença entre os 40% projetados para Flávio e os 47,03% registrados pelo TSE foi de 7,03 pontos percentuais, diante de uma margem de erro de dois pontos. Na Quaest, a diferença foi de 4,03 pontos, também acima da margem de erro de dois pontos, enquanto na CNT/MDA chegou a 4,93 pontos, diante de margem de 2,2 pontos.
Os levantamentos também registraram percentuais superiores aos resultados finais para candidatos que não chegaram ao segundo turno. Ronaldo Caiado (PSD) aparecia entre 3% e 5% nas pesquisas analisadas e terminou com 2,18% dos votos válidos. Romeu Zema (NOVO) aparecia entre 1% e 3% e obteve 0,27%, enquanto Escritor Augusto Cury (AVANTE) aparecia entre 3,6% e 6% e terminou com 2,89%.
A reportagem entrou em contato com os cinco institutos analisados para solicitar esclarecimentos sobre as diferenças entre as estimativas divulgadas na reta final da campanha e o resultado oficial das urnas, além de questionar os fatores metodológicos, amostrais ou relacionados ao comportamento do eleitor que poderiam explicar os desvios identificados, inclusive aqueles superiores às margens de erro declaradas. Até o fechamento desta matéria, nenhum dos institutos havia respondido aos questionamentos.
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