Manaus, 25 de abril de 2026 – O ministro Alexandre de Moraes determinou nesta quarta-feira, 22, a abertura de inquérito policial no Supremo Tribunal Federal para investigar o deputado federal Adail Filho (Republicanos) por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. A medida ocorre após o declínio de competência da Justiça comum para o STF, considerando o foro por prerrogativa de função do parlamentar, e tem como base investigação da Polícia Federal iniciada a partir da apreensão de cerca de R$ 1,2 milhão em espécie no Aeroporto Internacional de Brasília.
A apuração teve início com a prisão em flagrante dos empresários Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Vagner Santos Moitinho, que transportavam valores sem comprovação de origem lícita em 31 de dezembro de 2025. A análise de dispositivos eletrônicos e documentos apreendidos indicou que empresas vinculadas ao trio realizavam repasses financeiros diretos ao deputado e ao prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos), ampliando o escopo das investigações.
Esquema sob apuração envolve emendas e contratos públicos
A decisão judicial descreve indícios de um possível mecanismo de triangulação de recursos públicos, envolvendo a destinação de emendas parlamentares individuais por Adail Filho ao município de Coari nos anos de 2024 e 2025. Paralelamente, empresas ligadas aos investigados mantinham contratos com a prefeitura, o que levantou suspeitas de fraudes em licitações e eventual retorno de parte dos valores aos agentes políticos.
O ministro também determinou o não desmembramento do caso, mantendo sob a jurisdição do STF tanto o parlamentar quanto os investigados sem foro privilegiado, em razão da conexão entre os fatos apurados. A decisão estabelece prazo de 60 dias para a Polícia Federal avançar nas diligências e determina a remessa integral dos autos ao Supremo, consolidando a investigação em um único processo.

Histórico de investigações
O episódio atual se soma a um histórico de investigações envolvendo Adail Filho, incluindo um inquérito instaurado pela Polícia Federal em 2022 para apurar possíveis crimes eleitorais durante sua campanha. Na ocasião, a apuração teve início após denúncia anônima no sistema Pardal, que relatava a suposta distribuição de dinheiro em espécie a lideranças políticas em Manaus.
Durante a operação, agentes abordaram um veículo ligado à comitiva do então candidato e encontraram R$ 34 mil em dinheiro vivo, além de material de campanha. O irmão do deputado, Emanuel Pinheiro, declarou que os valores eram de sua propriedade e que comprovaria a origem posteriormente, mas recusou-se a permitir o acesso ao telefone celular no momento da abordagem.
A autoridade policial apontou indícios de caixa dois eleitoral e abuso de poder econômico, com posterior autorização judicial para quebra de sigilo telemático. O caso foi incorporado a procedimento mais amplo no Ministério Público Federal, relacionado à apuração de irregularidades na captação e uso de recursos em campanhas eleitorais.
Com a decisão recente, as investigações passam a integrar diferentes frentes sob supervisão do STF, reunindo elementos sobre movimentações financeiras, contratos públicos e atuação política. O andamento do inquérito deverá definir o alcance das apurações e eventuais desdobramentos envolvendo os investigados.
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