Engrenagens

Ranking põe senadores do Amazonas entre os mais caros do país

Plataforma De Olho em Você aponta que os três senadores do Amazonas estão entre os 10 mais caros do país. Plínio Valério lidera o ranking nacional de despesas, seguido por Omar Aziz na 3ª posição. Dados detalham custos de gabinete, emendas parlamentares e uso de Emendas Pix

Manaus, 29 de janeiro de 2026 – Dados da plataforma De Olho em Você, que monitora despesas parlamentares e execução orçamentária, colocam a bancada do Amazonas no Senado Federal entre as que concentram os maiores volumes de gastos públicos do país. O levantamento feito pelo Vocativo reúne despesas de manutenção de gabinete e informações sobre a gestão de emendas parlamentares.

A análise considerou gastos acumulados e execução financeira de recursos públicos, com foco na Cota para Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP) e nas transferências especiais conhecidas como Emendas Pix. No ranking nacional de despesas acumuladas, dois senadores do Amazonas aparecem entre os três primeiros colocados. O senador Plínio Valério (PSDB-AM) ocupa a 1ª posição, com R$ 676.677,45 em gastos totais.

Na 3ª colocação, aparece o senador Omar Aziz (PSD-AM), com despesas acumuladas de R$ 592.726,57, enquanto Eduardo Braga (MDB-AM) figura na 9ª posição, com R$ 566.140,19. O ranking reúne parlamentares de diferentes estados e é composto a partir de despesas declaradas oficialmente.

Vale lembrar que todos os senadores recebem salário fixo mensal de R$ 46.366,19, o que torna a CEAP o principal fator de variação nos custos individuais. A plataforma não disponibiliza, até o momento, dados sobre a Verba de Gabinete, utilizada para pagamento de assessores, o que significa que os valores apresentados não representam o custo total dos mandatos e podem ser maiores.

Gastos mensais e variação na Cota Parlamentar

No detalhamento mensal das despesas, o senador Omar Aziz registrou o maior custo entre os três. Em um único mês (não detalhado pela plataforma), o total chegou a R$ 138.057,35, impulsionado por R$ 91.691,16 em despesas da CEAP. No mesmo período, esse valor superou as despesas operacionais registradas por Eduardo Braga.

O senador Plínio Valério apresentou, no recorte mensal, o menor gasto com CEAP, no valor de R$ 21.463,96, totalizando R$ 67.830,15 em custos mensais. Apesar disso, ele mantém a liderança no ranking nacional de despesas acumuladas, conforme os dados consolidados pela plataforma.

Já o senador Eduardo Braga registrou custo mensal total de R$ 91.242,19, sendo R$ 44.876,00 referentes a despesas de período vinculadas à CEAP. Braga, no entanto, não fez uso das chamadas Emendas Pix.

Senadores movimentam milhões em Emendas Pix

Os dados analisados indicam que a utilização das chamadas Emendas Pix, oficialmente classificadas como transferências especiais, está associada a limitações na rastreabilidade dos recursos públicos após o repasse. Diferentemente das emendas destinadas a Projetos Definidos, essas transferências são realizadas diretamente para o caixa de estados e municípios, sem vinculação prévia a programas específicos ou planos de trabalho detalhados.

Esse formato de execução interfere nos mecanismos de controle externo, uma vez que a ausência de destinação carimbada dificulta a atuação de órgãos como o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União (CGU). Sem a definição prévia do objeto financiado, a verificação posterior da aplicação dos recursos torna-se mais complexa, especialmente em contextos de pulverização das transferências.

No caso do senador Plínio Valério, os dados mostram a destinação de R$ 20,8 milhões em 23 emendas na modalidade Pix. A fragmentação dos repasses amplia o desafio de acompanhamento da execução orçamentária, uma vez que os valores ingressam nos cofres locais sem associação direta a metas, cronogramas ou entregas previamente estabelecidas.

A ausência de projetos técnicos prévios também diferencia as transferências especiais das emendas vinculadas a programas específicos. Enquanto os Projetos Definidos exigem planos de trabalho e metas claras, as Emendas Pix permitem maior flexibilidade na utilização dos recursos pelos entes recebedores, o que reduz a visibilidade imediata sobre a finalidade dos gastos após a transferência.

Os dados de execução financeira também apontam diferenças entre as modalidades. O senador Eduardo Braga, que destinou 100% de seus recursos a Projetos Definidos, apresenta execução integral, com R$ 68,5 milhões empenhados e pagos. Já Plínio Valério, que utilizou 37% de sua cota em Emendas Pix, registra um intervalo entre empenho e pagamento, com R$ 67,7 milhões empenhados e R$ 56 milhões pagos até o momento.

O senador Omar Aziz adotou um modelo intermediário, com 19% dos recursos destinados por meio de transferências especiais e 81% aplicados em Projetos Definidos. Segundo os dados, ele empenhou R$ 67,09 milhões, com R$ 65,5 milhões pagos, mantendo parte dos recursos sob a modalidade de transferência direta e parte vinculada a programas específicos.


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