Amazonas

O que esperar de Eduardo Braga e Omar Aziz na CPI da Pandemia

Embora não possam ser considerados de oposição, é pouco provável que os dois ex-governadores do Amazonas tenham postura complacente com o governo Bolsonaro

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, confirmou nesta quinta-feira (15) os nomes que vão compor a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, que vai investigar a condução do combate à pandemia pelo governo federal e o uso de verbas federais transferidas a estados e municípios. Nela, estarão dois senadores do Amazonas: os ex-governadores Omar Aziz (PROS) e Eduardo Braga (MDB). Embora não possam ser considerados de oposição, é pouco provável que os dois tenham postura complacente com o governo Bolsonaro.

Isso porque o comportamento de ambos durante a segunda onda da Covid-19 no Amazonas foi de duras críticas ao governo federal. Durante audiência que ouviu o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em fevereiro sobre o colapso no fornecimento de oxigênio em Manaus, o senador Eduardo Braga teve embates com o general, inclusive rejeitando versões de Pazuello para as comunicações sobre os problemas de oxigênio do Amazonas.

Aziz também questionou o ministro sobre a efetividade das ações de sua pasta. “Está caindo um boeing por dia no meu estado. Morrem 200 pessoas por dia. Em qualquer lugar do mundo, isso é notícia. Se cair um boeing hoje numa república pequena, em qualquer lugar do mundo, isso vira manchete em qualquer jornal do país. Isso está acontecendo diariamente no estado do Amazonas”. Pazuello não contestou as afirmações dos senadores.

Não bastasse isso, a política econômica do ministro Paulo Guedes, que tem prejudicado o Pólo Industrial de Manaus, é outro motivo que pode colocar ambos em lados opostos ao do presidente. Em março, Braga e Aziz conseguiram que o governo recuasse da decisão de desonerar a importação de bicicletas. Em fevereiro, a Câmara de Comércio Exterior cortou o imposto de importação, que passaria de 35% para 20% de forma gradativa até o fim do ano.

Próximos passos

A partir de agora, a comissão já pode ser instalada — na primeira reunião devem ser eleitos o presidente, o vice-presidente e o relator da CPI. O senador Otto Alencar, como membro mais idoso entre os titulares da comissão, vai comandar a instalação e a eleição, que acontecerão em encontro presencial. A data da instalação ainda não foi definida. Veja a relação completa de membros da comissão:

Pacheco adiantou que está discutindo o assunto com a Secretaria-Geral da Mesa do Senado e que em breve levará as opções para os membros da comissão. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor do requerimento de criação da CPI (RQS 1.371/2021), defendeu que os trabalhos comecem já na próxima quinta-feira (22).

“Medida sanitária”

Em entrevista coletiva concedida nesta quinta, Randolfe avaliou que a CPI será uma “medida sanitária” contra a pandemia. Ele afirmou que, ao jogar luz sobre as políticas de saúde do país, a comissão poderá impedir o “aprofundamento do morticínio”. O Brasil é o líder mundial de novas contaminações e mortes por covid-19.

Para o senador, a comissão não se converterá em meio de perseguição pessoal contra ninguém, e poderá oferecer subsídios para providências políticas e judiciais. “Nenhuma CPI cassou mandatos, prendeu ou fez impeachment de ninguém. Esse não é o papel dela. As conclusões da CPI é que podem levar a isso. Não tem alvo personalizado. O alvo é o fato: como chegamos até aqui?”, questionou.

Com informações e foto da Agência Senado

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