Humanidades

Manaus registra madrugada de 27,5°C e temperatura mínima supera média histórica

Manaus enfrenta um novo padrão de calor em 2026. A capital registrou temperatura mínima de 27,5°C, acima da média anual histórica de 27,4°C. Dados do INMET mostram redução do resfriamento durante a madrugada e apontam calor persistente aliado à alta umidade

Manaus, 7 de agosto de 2026 – Manaus enfrenta em 2026 um cenário de aumento persistente das temperaturas, principalmente durante a madrugada e o início da manhã. Nessa quinta-feira, 6, a estação meteorológica da capital amazonense registrou temperatura mínima de 27,5°C, valor acima da temperatura média anual histórica de 27,4°C, indicada pelas Normais Climatológicas de 1991–2020 do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).

O dado faz parte de uma análise que reúne registros horários INMET, mapas de anomalias térmicas entre 2023 e 2026 e estudos científicos sobre a evolução da temperatura em Manaus. O levantamento indica que o calor registrado em 2026 não ocorre apenas em momentos isolados, mas durante um período prolongado de temperaturas elevadas na região amazônica.

Registro de 27,5°C na temperatura mínima mostra o avanço do calor durante o período noturno na capital amazonense (Reprodução / INMET)

A situação ocorre em um cenário de anomalia térmica positiva, quando as temperaturas ficam acima do padrão histórico esperado. Mapas climáticos de julho de 2026 indicam temperaturas entre 2°C e 3°C acima da média histórica em grande parte do território brasileiro. Em Manaus, um dos principais sinais é a redução do resfriamento durante a noite, período em que a cidade normalmente deveria registrar uma queda maior da temperatura.

Esse comportamento altera uma característica comum do clima equatorial da capital: a capacidade de perder calor durante a madrugada. Com temperaturas mínimas mais altas, moradores enfrentam períodos maiores de desconforto térmico, principalmente em áreas urbanizadas, onde materiais como concreto, asfalto e telhas absorvem calor durante o dia e liberam essa energia lentamente após o pôr do sol.

Mapas climáticos de julho de 2026 indicaram temperaturas acima da média histórica em grande parte do Brasil (Reprodução / INMET)
Calor persistente aumenta impacto da umidade

Além da temperatura medida pelos termômetros, outro indicador ajuda a entender como o calor é sentido pela população: o ponto de orvalho. Esse parâmetro mostra a quantidade de vapor de água presente no ar e ajuda a identificar como a umidade interfere na capacidade do corpo humano de perder calor.

Na manhã dessa quinta-feira, 6, registros meteorológicos indicaram temperatura de 29,2°C, acompanhada de umidade instantânea de 66%. A combinação entre calor e umidade mantém o ponto de orvalho elevado, reduzindo a eficiência da evaporação do suor, que é uma das formas naturais de o corpo controlar sua temperatura.

Quando o ponto de orvalho ultrapassa aproximadamente 24°C, o ambiente se torna mais desconfortável porque o suor demora mais para evaporar. Em situações prolongadas, essa condição aumenta o risco de estresse térmico, principalmente para pessoas mais vulneráveis, como idosos, crianças e indivíduos expostos ao calor por longos períodos.

Os registros de Manaus mostram que o ponto de orvalho na cidade frequentemente varia entre 22,9°C e 24,5°C, característica associada ao clima equatorial úmido. Em 2026, a combinação entre temperaturas mais altas e umidade elevada aumenta a sensação de calor, fazendo com que a temperatura indicada no termômetro represente apenas uma parte da condição enfrentada pela população.

Fatores globais e mudanças no ambiente urbano

A análise de longo prazo apresentada no relatório técnico aponta uma tendência de aumento das temperaturas em Manaus entre 2001 e 2024. Segundo estudo da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), as temperaturas máxima e média apresentaram aumento anual estimado de 0,043°C e 0,044°C, respectivamente.

O estudo utilizou o teste estatístico de Mann-Kendall, um método aplicado para identificar tendências em séries históricas de clima. Segundo o levantamento, o aumento identificado apresenta significância estatística, indicando uma mudança contínua nos padrões de temperatura analisados.

O relatório relaciona essa elevação a uma combinação de fatores, incluindo o aquecimento global e mudanças locais provocadas pela urbanização e pela redução da cobertura vegetal. Em Manaus, o crescimento urbano intensifica o efeito conhecido como ilha de calor urbana, quando superfícies construídas absorvem calor durante o dia e liberam essa energia lentamente durante a noite.

Um estudo da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) sobre o microclima do bairro do Coroado, na Zona Leste de Manaus, identificou diferenças de temperatura entre áreas urbanizadas e regiões próximas à vegetação da própria universidade. A análise aponta que essa diferença pode chegar a 6,5°C no mesmo horário, mostrando a influência da vegetação na redução das temperaturas locais.

A cobertura vegetal atua como um regulador térmico ao oferecer sombra e contribuir para processos naturais que ajudam a diminuir o aquecimento do ambiente. Em áreas com menor presença de árvores, o calor permanece acumulado por mais tempo, aumentando a exposição dos moradores a temperaturas elevadas durante a noite e a madrugada.

Ilhas de calor urbanas intensificam temperaturas em áreas com menor cobertura vegetal na capital amazonense (Reprodução)

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