Engrenagens

AM: Novos Soldados da PM denunciam condições precárias de trabalho

O Vocativo recebeu no final de 2024 denúncias sobre condições precárias de trabalho alarmantes enfrentadas pela última turma de soldados da Polícia Militar do Amazonas (PMAM). Os relatos, feitos por três pessoas sob condição de anonimato, indicam jornadas exaustivas, alimentação inadequada e atrasos em promoções, afetando diretamente o bem-estar e a motivação dos novos policiais.

Segundo as denúncias, os novos soldados iniciaram seu estágio em setembro, previsto para 200 horas em escala 6 por 1. Após denúncias, a escala foi alterada para 5 por 2. No entanto, mesmo após a formatura em 27 de novembro e retorno ao serviço em 5 de dezembro, continuam submetidos às mesmas condições de quando eram alunos, sem previsão de promoção oficial a soldados.

Alimentação estragada

Outra queixa feita à reportagem diz respeito à alimentação distribuída aos policiais. A empresa responsável pelo fornecimento foi a Triseven Serviços, que já recebeu mais de R$ 78 milhões dos cofres públicos do Estado durante a gestão Wilson Lima. Apesar disso, os soldados relatam que as refeições não chegam às Companhias Interativas Comunitárias (Cicoms) ou, quando chegam, estão em péssimas condições ou estragadas, situação que persiste desde o curso de formação.

A Triseven Serviços de Terceirização Ltda., também conhecida como Triseven Serviços e Qualidade de Vida já recebeu do Governo do Amazonas um total de R$ 78.314.038,79. Além disso, a empresa esteve envolvida em discussões sobre pagamentos diretos aos seus funcionários por parte do Fundo Previdenciário do Estado do Amazonas (Amazonprev).

“Não sabemos a quem mais recorrer. A situação está muito difícil. Temos medo de denunciar para a mídia e acontecer conosco o que vem ocorrendo com os demais que denunciaram o governo”, disse uma das fontes ouvidas em sigilo pelo Vocativo.

Sobrecarga e falta de infraestrutura

Atualmente, os soldados trabalham em escala 5 por 2, realizando policiamento ostensivo a pé por 6 horas em postos fixos. Muitos têm suas folgas alteradas sem aviso prévio e, devido aos baixos salários, são obrigados a realizar serviços extras gratificados (SEG) durante suas folgas para complementar a renda. Além disso, enfrentam dificuldades logísticas, como a falta de transporte adequado para retornar dos postos de patrulhamento.

Uniformes inadequados

Há relatos de que os soldados receberam apenas um uniforme para o trabalho, muitas vezes em tamanhos inadequados, obrigando-os a ajustá-los por conta própria em curto período. Aqueles que não conseguiram adequar os uniformes foram designados para tarefas como a operação estiagem, que envolve atividades físicas intensas, como carregar fardos de rancho. “Tem muita coisa errada acontecendo, a tropa já está adoecendo física e psicologicamente”, disse outra fonte, que também pediu anonimato por temer represálias.

Silêncio das autoridades

O Governo do Amazonas, a assessoria da Polícia Militar e a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) foram contatados ao longo dos últimos dias para comentar as denúncias, mas não responderam até o momento.


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