Engrenagens

Frigoríficos do Amazonas não comprovam controle da cadeia

Nenhum frigorífico localizado no estado do Amazonas possui algum controle da cadeia da pecuária que garanta que a carne que vendem não seja proveniente de área de desmatamento. A conclusão é da última edição do Radar Verde, que avaliou os 132 frigoríficos com registros de Serviço de Inspeção Estadual (SIE) e de Serviço de Inspeção Federal (SIF) operando na Amazônia Legal, 13 deles localizados no estado.

Todas as empresas mapeadas no estado — Agricultura E Pecuaria Amazonas S/A (Agropam), Amazonboi, Bovinorte, C R O Ribeiro, Frig S/A, Frigo Manaus, Frigoli Alimentos (Nome atual: Frigonosso), Frigorífico Alemão, Frigorífico Amazonas, Frigorífico Dona Raimunda, Frigotefé, Mafrico, R. Batista — tiveram nota vermelha, ou seja, têm Grau de Transparência considerado muito baixo.

Dentre os critérios utilizados, graus de controle da cadeia, exposição ao risco de desmatamento e quantas informações são disponibilizadas nos sites das empresas revelam a política de controle do desmatamento na cadeia da carne e se sua eficácia é comprovada por meio de auditoria independente.

Todas as empresas foram avaliadas quanto ao Grau de Transparência Pública, mesmo aquelas que não responderam aos questionários enviados pela ONG. Dos 132 frigoríficos identificados, foi possível avaliar o Grau de Transparência Pública apenas de 38 (29%). Os 94 (71%) restantes não possuíam ou o site estava em manutenção durante o período de análise. No geral, 92% obtiveram classificação quanto à transparência pública com grau de controle muito baixo (vermelho); 7% obtiveram grau de controle baixo (laranja); e apenas 1% obteve classificação com grau de controle intermediário (amarelo).

“O desmatamento é uma ameaça sistêmica à economia brasileira, pois diminui as chuvas, que são essenciais para o agronegócio, para a geração de energia, o abastecimento industrial e dos lares. A pecuária bovina é a principal atividade responsável pelo desmatamento na Amazônia Legal, ocupando cerca de 90% da área desmatada, sendo que mais de 90% do desmatamento é ilegal”, explica Paulo Barreto, coordenador do Radar Verde e pesquisador associado do Imazon.


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