Matiz

Ser “a favor da vacina, mas contra o passaporte de vacinação” é uma posição estúpida

Políticos e militantes bolsonaristas em Manaus estão usando nos últimos dias uma nova falácia para atacar o processo de vacinação contra a Covid-19: se dizem a favor da vacina, mas contra o passaporte de vacinação, porque isso seria “uma imposição que vai contra a liberdade e o direito de escolha do indivíduo”. Poucas coisas poderiam ser tão estúpidas e desonestas quanto essa.

Primeiro, o mais óbvio: a vacinação é uma ação coletiva. Ela não serve apenas para diminuir as chances de contágio pelo coronavírus, mas também para evitar casos graves e o consequente colapso do sistema de saúde. Logo, o direito individual em questão se aplica diretamente em toda a coletividade. O seu direito individual de não se vacinar termina no direito coletivo de ser escolher não correr o risco contaminado por gente irresponsável e ignorante.

Segundo: o passaporte de vacinação não obriga ninguém a se vacinar. Como aliás nada obriga. Ninguém até o momento foi pego pelo braço e vacinado compulsoriamente no Brasil. O passaporte apenas dá para a sociedade uma informação, um indicador de quem não se vacinou, fazendo com que essa coletividade decidir, com base na liberdade de cada um, se vão ou não conviver e interagir com quem não se vacina.

Terceiro: se a liberdade é mais importante que a vida, então a cada indivíduo na sociedade deve ter o direito de decidir se vai interagir com pessoas que não se vacinaram. Mas pra isso é preciso saber quem tomou a vacina e quem não tomou. E isso não vem tatuado na testa de ninguém.

Ora, se o direito individual é sagrado, ninguém está forçando ninguém a se vacinar e o comprovante de vacinação também não obriga nenhum dono de estabelecimento a barrar ninguém, por que o escândalo? O preço das liberdades individuais é arcar com as consequências delas. Se esses indivíduos não tem coragem suficiente pra isso, então essa liberdade vale muito pouco.


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