Contexto

Cuidado! O governo quer um aplicativo que pode vigiar o seu celular

A ferramenta Pegasus é conhecida por ser utilizada em outros países para espionar celulares e computadores de jornalistas e críticos de governos. Programa é capaz de hackear qualquer aparelho, coletando dados e estabelecendo vigilância sobre a vítima

Os senadores Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE) apresentaram nesta quarta (19/05) um requerimento ao Tribunal de Contas da União (TCU) para que realize uma auditoria no Ministério da Justiça para averiguar a compra do programa de espionagem Pegasus.

O edital de aquisição alega que o sistema de inteligência atenderá às necessidades operacionais da Diretoria de Inteligência da Secretaria de Operações Integradas (Seopi) e “permitirá um ganho considerável em requisitos de performance”. No entanto, esse software permite muito mais do que isso. Permite literalmente espionar você através do seu celular.

A ferramenta Pegasus é conhecida por ser utilizada em outros países para espionar celulares e computadores de jornalistas e críticos de governos. Ela foi desenvolvida em 2016 pela empresa israelense NSO Group. Esse programa, conhecido como spyware, é capaz de hackear qualquer iPad ou iPhone, coletando dados e estabelecendo vigilância sobre a vítima.

Como ele atua?

O Pegasus foi descoberto graças a Ahmed Mansoor, ativista dos direitos humanos dos Emirados Árabes que era um dos alvos desse software. Ele desconfiou após receber diversas mensagens de SMS com links que pareciam estranhos e as encaminhou para especialistas de segurança digital. Dito e feito. Se tivesse acessado os links pelo seu iPhone, Ahmed teria sido infectado com malware e teria todos os seus dados disponíveis. Pesquisadores consideraram esse um dos ataque mais sofisticado já vistos.

O Pegasus foi atribuído ao NSO Group, empresa israelense que trabalha com esse tipo de software legalmente, para espalhar aquele tipo de propaganda que geralmente bloqueamos. Aparentemente, a empresa atuava clandestinamente com programas mais, digamos obscuros.

A vantagem para quem possui o sistema é facilidade que ele tem para se esconder. O malware se autodestrói se não conseguir se comunicar com o servidor de comando e controle (C&C) por mais de 60 dias, ou se detectar ter sido instalado em um dispositivo com o cartão SiM incorreto.

Mas quem se beneficia?

Apesar do Ministério da Justiça ser supostamente o beneficiário desse sistema, órgãos que tem o dever legal de atuar com vigilância, como o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e a Agência Brasileira de Informações (Abin), não seriam beneficiados com licenças de uso, diferentemente de outros editais semelhantes. Então, quem se beneficia?

A principal suspeita recai sobre vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho 02 do presidente Jair Bolsonaro. Carlos teria articulado a exclusão do GSI da licitação com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres. O vereador também teria interesse em diminuir a presença do alto comando militar do Brasil em assuntos de inteligência.

Nos bastidores, fala-se que o grupo liderado por Carlos e chamado de “ala ideológica” do governo, estaria em constante atrito com os militares por conta da disputa de influência junto ao presidente. Vale lembrar que Torres assumiu recentemente o comando do ministério em abril e é considerado mais alinhado aos filhos do presidente.

O senador Alessandro Vieira informou que recorrerá à Justiça Federal contra a licitação de compra do aparelho espião ainda nesta quarta. O senador defende a incorporação de novas tecnologias aos trabalhos de Segurança Pública, desde que sigam os limites da legislação brasileira. “Não se pode comprar um instrumento que tem servido como perseguição política e que não é possível identificar quem acessa, ou quem é alvo de cada ação”, declarou em nota.

Com informações da Agência Senado e da Kaspersky. Foto: EBC

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