Cotidiano

A pandemia de depressão e como combatê-la

Pesquisadores ingleses publicaram no último dia 11 de maio no Journal of Mental Health – periódico que reúne artigos sobre o tema – quatro medidas que devem ser adotadas urgentemente para que o mundo tenha condições de enfrentar o crescimento acentuado de doenças como ansiedade e depressão na próxima década. Segundo a Organização Mundial de Saúde, mais de 264 milhões de pessoas sofrem de depressão em todo mundo. Um a cada treze indivíduos manifesta sintomas de ansiedade.

A pandemia de Covid-19 agravou o problema ao obrigar a todos ao isolamento social, fazer aumentar o medo com o futuro e aumentar a carga de estresse. Ao mesmo tempo, de acordo com pesquisa da própria OMS, de 2020 até agora, 93% entre 130 países apresentaram interrupção ou fechamento dos serviços de atendimento aos pacientes. É o primeiro levantamento a indicar o grau da devastação nos sistemas de assistência às enfermidades psiquiátricas na maior parte do mundo em razão da pandemia.

     Cientes da proporção do problema, os acadêmicos propuseram que as autoridades de saúde de todos os países invistam em quatro iniciativas: levantamento do número de crianças e jovens que neste momento apresentam algum problema mental persistente; melhorar o entendimento das ligações entre a saúde física e menta com foco na eliminação da mortalidade derivada dessa associação; aumentar o número de novos tratamentos e melhorar as intervenções e serviços de apoio existentes; aumentar o acesso às redes de atendimento seja em hospitais ou em ambulatórios. “Essas quatro ações darão um guia para pesquisadores e responsáveis pela formulação de políticas públicas de saúde sobre o que é preciso fazer para que estejamos mais preparados no futuro’, afirma Dame Wykes, do King´s College London´s Institute e um dos autores do artigo.

    O Brasil não dispõe de levantamentos atuais. Por isso, não é possível saber com precisão o impacto da pandemia na saúde mental da população. A observação clínica e alguns indicadores numéricos sugerem, no entanto, elevado aumento de casos especialmente de depressão e ansiedade. É importante lembrar que as doenças têm tratamento. Aos primeiros sintomas, deve-se procurar ajuda médica. De acordo com o quadro, pode ser necessário o uso de medicação. Em geral, o tratamento baseia-se na associação de remédio, psicoterapia. Praticar exercício físico, ioga e meditação também são recursos benéficos com eficácia comprovada cientificamente.

Foto: Agência Brasil

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