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Após fala de Bolsonaro, China bloqueia insumos e Butantan paralisa produção de vacinas

O Instituto Butantan informou nesta sexta-feira (14/05) que vai paralisar a produção até a chegada de um novo lote com 10 mil litros de insumo farmacêutico ativo (IFA), matéria-prima da vacina. Segundo o governo de São Paulo, o carregamento ainda não foi liberado pelo governo chinês para ser embarcado ao Brasil.

“Esses 10 mil litros correspondem a aproximadamente 18 milhões de doses da vacina, absolutamente necessários para manter a frequência do sistema vacinal, acelerar e atender os que precisam da segunda dose”, disse o governador João Doria. Ele atribuiu o atraso na liberação do envio do material a um “entrave diplomático” causado por declarações de autoridades do governo brasileiro em relação à China e à própria vacina.

Nas últimas semanas, o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) e o ministro da economia, Paulo Guedes, mesmo sem qualquer prova ou evidência, afirmaram que a China criou o novo coronavírus. O chefe da nação inclusive insinuou que os chineses estariam em guerra biológica com o planeta.

Não é a primeira vez que incidentes como estes acontecem. Em 2020, os ex-ministros da educação, Abraham Weintraub e das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, também fizeram acusações sem provas contra a China, além do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente.

O Instituo finalizou as entregas do primeiro contrato para fornecimento de vacinas contra o novo coronavírus ao Programa Nacional de Imunizções (PNI). Foi disponibilizado o total de 1,1 milhão de doses, somando 47,2 milhões de doses da vacina CoronaVac, elaborada em parceria com o laboratório chinês Sinovac. O contrato previa o fornecimento de 46 milhões de doses da vacina. Assim, o lote de hoje também é o início do cumprimento do segundo contrato para a disponibilização de 54 milhões de doses até o final de agosto.

Atrasos no cronograma

Com a atual demora na entrega de matéria-prima, a estimativa de Covas é que só sejam disponibilizadas cinco milhões de doses de vacina em maio, quando a previsão inicial era de 12 milhões de doses.

O governo de São Paulo avalia que as doses disponíveis no momento são capazes de atender todos os grupos convocados para receber a imunização. No entanto, Covas lembrou que alguns municípios, seguindo recomendação do Ministério da Saúde, usaram todas as doses de CoronaVac para a primeira etapa da imunização e podem ter dificuldades para aplicar a segunda dose. Problema que, de acordo com o presidente do Butantan, não acontece no estado de São Paulo. A recomendação desastrada partiu do Ministério da Saúde e os riscos foram alertados pelo Vocativo em março.

Com informações da Agência Brasil. Foto: Carlos Soares/SSP-AM

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