Amazonas

No Amazonas, menos de 20% dos idosos receberam segunda dose da vacina contra a Covid-19

Em todo Amazonas, mais de 275 mil idosos e 21 mil profissionais de saúde ainda não receberam a segunda dose da vacina contra a Covid-19

Quase três meses depois do início da campanha de vacinação contra a Covid-19, o Amazonas ainda não imunizou completamente nenhum dos grupos prioritários que são alvo da campanha até aqui, iniciada em 17 de janeiro. Ou seja, nenhum desses grupos atingiu 100% de cobertura da segunda dose dos imunizantes e ainda não possuem a proteção total que eles podem oferecer. Entre a população idosa à partir de 60 anos, o índice de cobertura da segunda dose não passa de 20%. As informações constam no site da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM).

Segundo matéria publicada na Folha de São Paulo neste sábado (10/04), 500 mil pessoas no Brasil ainda não tomaram a sua segunda dose das vacinas contra a Covid-19. E o Amazonas lidera esse ranking, com 31% dos vacinados. No entanto, a situação é ainda mais séria ao analisar a distribuição dessas doses pelos grupos prioritários.

Pra se ter uma ideia, o grupo que mais se aproximou do ideal, os profissionais de saúde, possui 77% de imunização completa, o que significa que ainda restam 21 mil para receberem a segunda dose. Entre os grupos mais vulneráveis, que possuem maior risco de quadros graves e óbito, a situação é ainda mais séria.

No grupo de 80 anos ou mais, apenas 4,6% do total recebeu a segunda dose. No grupo de 75-79 anos, 5%. Entre os de 70-74 anos foram 7,3%. Entre os idosos de 65-69 anos, 5,4%. O grupo mais adiantado é o de 60-64 anos, com 14%. Isso significa que, no total, 277.492 idosos ainda estão com a imunização incompleta em todo estado.

Capital em situação pior

Se tem um bom ritmo de vacinação na primeira dose, a capital Manaus consegue ser ainda pior na aplicação da segunda. O grupo mais avançado na imunização completa é o de profissionais da saúde, com 88%. No entanto, entre a população acima de 65 anos, não chega nem a 1% o número de pessoas que recebeu duas doses de vacinas. A faixa etária entre 60-64 anos é a mais adiantada, com 14%.

Riscos

As duas vacinas em uso no Brasil atualmente, a CoronaVac (Butantan/Sinovac) e a Covishield (AstraZeneca/Fiocruz) funcionam em regime de duas doses, ou seja, você precisa tomar a segunda e esperar 15 dias para ter a proteção que elas oferecem contra o vírus ou pelo menos para casos graves, internações e morte.

A Covishield possui um intervalo de aplicação das duas doses maior, de três meses, o que até poderia explicar essa demora. No entanto, ela representa apenas 23% do total de 1.173.524 vacinas que o Amazonas recebeu até aqui. Os 77% restantes, ou 895.124 doses, são da CoronaVac. E é aí que está o problema, já que o intervalo de aplicação dela é bem menor: 28 dias, no máximo. Isso significa uma parte das pessoas imunizadas com a CoronaVac em janeiro podem não ter tomado sua segunda dose até aqui, o que significa estar menos protegido do que poderia.

“A pessoa não fica desprotegida, mas sabemos que há uma proteção menor do que o visto com duas doses no intervalo adequado”, afirma Mellanie Fontes-Dutra, biomédica e pesquisadora da Rede Análise Covid-19. O mais recomendado, no caso, é orientar os atrasados a buscar a segunda dose o quanto antes. “Ela não precisa tomar a primeira dose de novo, mas é preciso aplicar o mais rapido possivel a segunda dose”, alerta.

“Quanto mais tempo demora, mais chance de se infectar neste intervalo de duas doses, ficar doente gravemente e morrer”, explica o virologista Eduardo Flores, da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul (UFSM).

Ressalva

Vale ressaltar que esses números ainda podem variar porque muitas pessoas podem ter se infectado após a primeira dose, o que atrasaria a aplicação da segunda. Isso sem contar o fato de que a população estimada para receber as vacinas não corresponde à realidade, afinal, só em números oficiais morreram mais de 12 mil pessoas desde o começo da pandemia, o que diminuiu significativamente a população dessas faixas etárias. Em todo caso, fica o alerta.

Questionadas a respeito do problema pelo Vocativo, tanto a Secretaria de Estado da Saúde (SES-AM) quanto a Secretatia Municipal de Saúde da capital (Semsa) ainda não se manifestaram até o fechamento desta matéria.

Foto: Divulgação/ FVS

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: