Amazonas

Vacinação antecipada de policiais no Amazonas é criticada por especialistas

14 mil profissionais, entre policiais, bombeiros e agentes de trânsito, serão vacinados antes de adultos com comorbidades graves, como cardiopatias e obesidade

A juíza Jaiza Fraxe, da 1ª Vara Federal Cível do Amazonas, autorizou o governo do Estado a vacinar os profissionais da Força de Segurança do Estado, a partir deste domingo (28/03). Serão imunizados mais de14 mil profissionais, entre policiais, bombeiros e agentes de trânsito, serão vacinados antes de adultos com comorbidades graves, como cardiopatias e obesidade, da capital e do interior. A medida, no entanto, é criticada por pesquisadores ouvidos pelo Vocativo.

A Defensoria Pública da União (DPU) ingressou na Justiça nesta sexta-feira (26/03), para tentar suspender a decisão, mas não obteve êxito. sob a alegação de que estava sendo quebrada a ordem dos grupos prioritários definidos no Plano Nacional de Imunização (PNI).

“São profissionais que estão na linha de frente no combate à Covid-19. Está na hora de proteger as pessoas que nos protegem no dia a dia”, justificou o governador Wilson Lima. A decisão, que foi comunicada ao Ministério da Saúde e alinhada com os órgãos de controle do estado, no entanto, não econtra respaldo na ciência.

Isso porque as vacinas usadas no PNI brasileiro, a CoronaVac (Butantan) e a Covishield (AstraZeneca) não tem como principal objetivo impedir que os imunizados tenham o vírus, embora os dois compostos ofereçam algum grau de proteção. O objetivo principal das duas é impedir quadros graves da Covid-19, principalmente hospitalizações em UTI e mortes.

Assim, vacinar policiais jovens e saudáveis, que possuem média de idade de 35 anos e possuem inciência menor de fatores de risco, antes de adultos com comorbidades como cardiopatias e obesidade (um dos principais fatores de risco para jovens), é criticada por especialistas na área de saúde.

“Em princípio, [essa decisão] fere as prioridades epidemiológicas. Os mais afetados e que ocupam leitos e vão a óbito acabam ficando de fora. Em termos de exposição, por exemplo, trabalhadores de transporte público poderiam ser até mais vulneráveis”, explica a também epidemiologista Isabel Leite, da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG). Isabel afirma ainda que a pouca disponibilidade de vacinas, além das incertezas de fluxos de remessa ainda podem gerar disputas no interior das cidades.

“Do ponto de vista epidemiológico, não há nenhum sentido”, afirma o epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz da Amazônia. “O único sentido prático é eleitoral, populismo sanitário às custas de vidas que serão perdidas”, lamentou. Vale ressaltar que políticos do estado que possuem base eleitoral entre as polícias, como o próprio governador Wilson Lima, o Omar Aziz (PSD-AM) e deputados federais e estaduais bolsonaristas vêm defendendo a antecipação desde que o processo começou, em janeiro.

1 comentário

  1. Então, já que esses especialistas acham que policial é imortal e pode pegar Covid, deveria todos os policiais ficarem em casa e não trabalharem nas ruas, simples assim

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