Amazonas

Tudo sobre a Sputnik V, vacina contra a Covid-19 comprada pelo governo do Amazonas

O governador do Amazonas, Wilson Lima, anunciou neste sábado (20/03), assinatura de acordo nesta segunda-feira (22/03) para a compra de 1 milhão de doses da Sputnik V, vacina contra a Covid-19 desenvolvido pelo Instituto Gamaleya, da Rússia. Para tirar suas dúvidas, o Vocativo reuniu informações sobre essa vacina, que deverá ser fundamental na luta contra a doença no estado.

Tecnologia utilizada

A Sputnik V utiliza dois vetores de adenovírus (um tipo de vírus respiratório), pra levar uma sequência da proteína S do coronavírus (que fica nos espículos, que ele usa para entrar nas nossas células). Mas calma, esses adenovírus foram modificados pra não se replicarem e não causar doença. Então, fique tranquilo.

A ideia é que com isso nosso corpo reconheça essa proteína e se proteja contra o coronavírus. Esse método é semelhante ao utilizada pela Covishield, da Universidade de Oxford e da AstraZeneca, que já estamos usando no Brasil é aqui é produzida pela Fiocruz, com a diferença que usa apenas um vetor de adenovírus.

“A idéia de usar 2 vetores vem da necessidade em que algumas vacinas apresentam de realizar um reforço para aumentar a resposta imunológica. Essa vacina com 2 vetores diferentes poderia já estimular um aumento dessa resposta imunológica, em teoria”, explica Mellanie Fontes-Dutra, biomédica e coordenadora da Rede Análise Covid-19.

Mas ela vai me proteger?

Sim! No último dia 02 de fevereiro, um estudo publicado na revista médica The Lancet e validados por especialistas independentes, mostrou que a Sputnik V revelou uma eficácia de 91,6% contra as formas sintomáticas da doença. Os resultados dizem respeito à última fase de ensaios clínicos da vacina, a fase três, que envolveu cerca de 20 mil voluntários.

Vale lembrar que, em princípio, o desenvolvimento desse vacina vinha sido criticado por ter saltado etapas e pela falta de transparência. O governo da Rússia, por exemplo, começou a aplicar doses na população antes do resultado da fase três de testes, que medem o grau de proteção do composto. “Mas os resultados são claros e o princípio científico dessa vacinação está demonstrado. Ela é vacina extra pode ser acrescentada à luta contra a Covid-19”, afirmaram dois especialistas britânicos, Ian Jones e Polly Roy, num comentário anexado ao estudo.

A vacina é aplicada em duas doses da vacina com três semanas de intervalo. Um total de 16 voluntários dos 14,9 mil que receberam ambas as doses da vacina teve teste positivo (0,1%) em comparação com 62 de 4,9 mil voluntários que receberam o placebo (1,3%).

Há outros países utilizando?

Sim. Vários. O imunizante já vem sendo utilizado em 17 países, como Rússia, Paraguai, Hungria, Argentina, Venezuela, dentre outros. A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) está analisando  dos dados da Sputnik V e deve começar a produção em massa em julho deste ano. Países como Alemanha e Itália, no entanto, já consideram utilizar a vacina imediatamente, dada a urgência da situação.

O que falta pra ela ser usada?

Para que isso aconteça, ainda é necessária aprovação para uso emergencial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A agência vistoriou a fábrica da União Química (parceira do Instituto Gamaleya no Brasil), que fica em Guarulhos (SP) entre os dias 8 e 12 deste mês. Dever ser último passo antes da autorização. Agora é aguardar, continuar se cuidando e escolher em qual braço tomar.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: