Amazonas

Em visita a Manaus, representante do MS defende “tratamento precoce” e não fala em vacina

Após a determinação judicial que obriga o fechamento de atividades não essenciais publicada no último sábado (02/01), o governo do Amazonas fez transmissão pelas redes sociais no final da manhã desta segunda-feira (04/01) para definir os próximos passos no combate ao avanço da Covid-19 no estado. Na transmissão, no entanto, não foi citada em nenhum momento a palavra vacina.

Esteve presente na reunião a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde e representante do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro. Ela defendeu o chamado “tratamento precoce” para a Covid-19 e aproveitou para atacar a imprensa. “Vemos notícias na imprensa, muitas vezes espalhando desinformação, de que o tratamento não funciona. Temos uma série de evidências de que funciona, inclusive com aval do Conselho Federal de Medicina (CFM)”.

O “tratamento precoce” defendido pela secretária consiste em medicamentos como a hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina e vitaminas, o que não possui aval da comunidade científica. Vale lembrar ainda que a posição formal da Organização Mundial de Saúde e da Organização Pan-Americana de Saúde de que tal procedimento não existe e que não há medicamento que possa tratar a doença de forma precoce. Entidades como a Sociedade Brasileira de Infectologia inclusive já desaconselharam o uso desses medicamentos contra a Covid-19.

E ao contrário do que disse a representante, o Conselho Federal de Medicina, na verdade, publicou nota defendendo a autonomia para os médicos receitarem medicamentos que acharem apropriados e condicionou o uso da hidroxicloroquina a autorização por escrito dos pacientes.

Apesar da afirmação feita durante a live, a secretária não apresentou nenhuma evidência ou estudo científico comprovando a eficácia de qualquer tratamento contra a Covid-19.

Situação atual

Segundo a diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), Rosemary Pinto, o estado saiu da fase vermelha e entrou na fase roxa, que representa a de maior risco da pandemia. Segundo a diretora, houve aumento de 120% na média móvel diária de casos, chegando a 700 casos por dia no mês de dezembro. O número de óbitos também aumentou em 66% no mesmo período.

“Temos notado também o aumento de óbitos em casa, por isso é fundamental não aglomerarmos neste momento. Precisamos manter as medidas de proteção, como o uso de máscara e higienização das mãos em todos os momentos. Também é importante fazer a higienização correta das máscaras e trocá-las a cada três horas”, orientou.

Outra recomendação feita foi a da procura imediata a uma unidade de saúde em caso de sintomas da Covid-19. Pacientes como comorbidades como câncer, diabetes e hipertensão devem continuar com seus respectivos tratamentos. “É importante que não interrompam seus tratamentos. Observamos que esses pacientes evoluem para uma forma grave com maior velocidade”, explicou.

Ocupação de leitos

O governador Wilson Lima aproveitou para falar da ampliação de leitos para pacientes com a doença, mas afirmou que, no atual ritmo, a rede estadual entrará em colapso. “Só nos últimos dois meses nós passamos de 457 leitos para 1.038, todos destinados para pacientes com Covid-19. Agora, os números de internações têm aumentado significativamente. De sábado para domingo, nós tivemos 159 internações, o que é um número muito alto. Se não houver a colaboração de todas as pessoas, entendendo que é preciso evitar aglomerações e respeitar as orientações das autoridades em saúde, vai chegar um momento em que nós não teremos leitos disponíveis para atender aquelas pessoas que forem acometidas pela Covid”, alertou o governador. 

Segundo Rosemary Pinto, a rede particular do estado já se encontra em colapso. “Atualmente, temos ocupação de 100% da rede de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) da rede privada, o que aumenta ainda mais a pressão sobre a rede pública”, alertou.

Vacina

Apesar da situação crítica e da recomendação da Defensoria Pública do Estado para apresentar um cronograma de vacinação, nem o governador Wilson Lima, nem a representante do Ministério da Saúde falaram em qualquer data ou quantidade de vacinas que seriam destinadas ao Amazonas durante a transmissão.

Foto: Secretaria de Estado da Comunicação (Secom)

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