Amazonas

Com eleição sob júdice, clima é de tensão na Assebleia Legislativa do Amazonas

Os deputados estaduais que participaram da sessão ordinária desta quarta-feira (9) na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) debateram o resultado da sessão da última terça-feira (3), quando o deputado Roberto Cidade (PV) foi eleito o novo presidente da Casa. A eleição foi suspensa pela Justiça e está sub judice.

Roberto Cidade discursou no Pequeno Expediente destacando que “a população espera dos deputados uma postura proativa, respeitosa e democrática”. Segundo ele, “as divergências de ponto de vista entre os deputados é salutar, porém há sempre que se respeitar a democracia e conviver com o posicionamento diferente dos colegas, sempre respeitando o direito às leis estabelecidas”, disse.
Cidade se referiu à contestação judicial à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permitiu a realização da eleição na última quinta-feira. “A PEC possibilitou a apresentação de chapas e os ritos internos que culminaram na nossa eleição. Respeitando o direito legítimo de qualquer cidadão em contestar e apresentar argumentos na justiça, respeitando a legitimidade da maioria dos 16 votos, reafirmando aqui a nossa percepção de que todos os ritos internos da Aleam foram seguidos e respeitados”, afirmou.

Por sua vez, Serafim Corrêa (PSB) mostrou uma foto aérea do local no bairro Parque 10 onde está prevista a construção de uma ciclovia que ligará a Av. Maceió à Av. Djalma Batista. De acordo com o deputado, a esperança é que o próximo prefeito de Manaus, David Almeida, conclua o projeto. “Com o dinheiro que já está contratado na Caixa, o prefeito pode devolver a Manaus o balneário do Parque 10”, concluiu.

Serafim ainda se declarou “triste” ao saber dos atos do Governo do Estado em transferir os delegados João Tayah, filiado ao PT e Costa e Silva, filiado ao Patriotas para o interior, por terem, segundo ele, ousado se candidatarem nas últimas eleições. “Ao retornarem aos seus trabalhos, descobrem que foram transferidos para o interior. Isso é perseguição pura. Quero deixar a eles minha solidariedade pessoal e partidária”, afirmou.

Wilker Barreto (Podemos) reiterou seu apoio ao que, segundo ele, foi praticado de forma legítima e regimental em se tratando da eleição para a Mesa Diretora da Aleam. O parlamentar afirmou ainda que deu entrada na Comissão de Ética da Aleam em uma denúncia contra a deputada Joana Darc (PL) que acusou 16 parlamentares de receber dinheiro para eleger Roberto Cidade.
O deputado Delegado Péricles (PSL) falou do mesmo assunto e se disse indignado com as acusações de falsificação de documentos públicos, levantadas contra ele. “Isso deixou bem claro a interferência direta do governador nesta Casa. Golpe seria se ele conseguisse o seu intento. Isso seria golpe, misturar o Executivo e deixar ele tomar conta do parlamento. Rapidamente fiz uma pesquisa e aqui estão 13 projetos do governo que tramitaram no mesmo dia. Essa celeridade é normal, houve aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), aprovação na comissão especial e aprovação por ampla maioria da PEC”, esclareceu.

Felipe Souza (Patriotas) afirmou que a eleição foi legítima e lícita. De acordo com ele, não houve golpe, mas sim um contragolpe. “Está clara a interferência de outros Poderes nesta Casa. É hora de dar um grito de independência. Esta Casa tem autonomia”, protestou.

Therezinha Ruiz (PSDB), que participou da sessão de forma remota, se disse prejudicada pela fala da deputada Joana Darc. Segundo ela, sempre houve respeito e colaboração entre os colegas, mas que nunca se sentiu tão ofendida pelas palavras da líder do governo. “Precisamos apurar o que foi dito”, disse ela.

Fausto Jr. (PRTB) declarou apoio a todos os colegas deputados que, segundo ele, têm sido atacados por conta da eleição. “É preciso equilíbrio, respeito entre os Poderes. Nós vivemos uma crise política. Sabemos quem e o que provoca: a vontade de um Poder ser dominante sobre outros Poderes”, afirmou. Em aparte, o deputado Adjuto Afonso (Progressistas) afirmou que é preciso apuração dos fatos narrados pela deputada Joana Darc.

O presidente da Aleam, Josué Neto (PRTB) prestou sua solidariedade aos servidores da Assembleia que trabalham auxiliando os deputados e deputadas nos trabalhos legislativos. “Quem fez todo o trabalho de tramitação da PEC foram os servidores, que são efetivos, ou seja, não têm ligação política. A tramitação foi legal e justa”, declarou.

Alessandra Campêlo (MDB) falou sobre a ação impetrada por ela na Justiça, junto com os deputados Belarmino Lins (Progressistas) e Saullo Vianna (PTB), para sustar os efeitos da PEC que antecipou a eleição da Mesa Diretora da Assembleia. A parlamentar afirmou que tem convicção da ação impetrada por ter lido todos os documentos que compõem o processo e fez uma longa explanação sobre as etapas do processo legislativo que culminou na eleição e na posterior liminar impetrada na Justiça.

A líder do governo na Aleam, Joana Darc, disse que o grupo de oito deputados que perdeu a eleição foram pefos “de surpresa” com a antecipação da eleição. “O trâmite da PEC foi feito da forma errada, na minha opinião. O que mais me causou revolta foi o fato de eu ser membro titular da CCJR e não ter sido convocada, tanto eu quanto o deputado Belarmino Lins. Senti e minha prerrogativa como parlamentar violada”, protestou.

Com informações da Diretoria de Comunicação da Aleam

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