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Mil dias e a pergunta sem resposta: quem mandou matar Marielle Franco?

Os assassinatos da vereadora carioca Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes completam hoje (8) mil dias, sem que a polícia tenha concluído suas investigações. Os dois foram mortos depois de terem seu carro atingido por disparos na noite de 14 de março de 2018, em uma rua do centro do Rio de Janeiro.

A Polícia Civil prendeu dois suspeitos de terem atirado contra as vítimas. Os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio Queiroz foram presos em março de 2019. Até agora, no entanto, as investigações não conseguiram identificar o mandante, quem seria essa pessoa e quais seriam suas motivações.

Marielle voltava de um evento na Lapa, chamado Jovens Negras Movendo as Estruturas, quando teve o carro emparelhado por outro veículo, de onde partiram os tiros. Uma assessora da parlamentar, que também estava no carro, sobreviveu aos ataques. As câmeras de monitoramento de trânsito existentes na região estavam desligadas.

Eleita com 46,5 mil votos, a quinta maior votação para vereadora nas eleições de 2016, Marielle Franco estava no primeiro mandato como parlamentar. Oriunda da favela da Maré, zona norte do Rio, Marielle tinha 38 anos, era socióloga, com mestrado em administração pública e militava no tema de direitos humanos.

Investigações

O desdobramento da investigação dos assassinatos foi a decisão da Justiça de mandar a júri popular Lessa e Queiroz. Eles estão presos na Penitenciária Federal de Porto Velho desde março do ano passado e negam participação nos dois assassinatos.

Armas

Em 2019, Queiroz foi interrogado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) e afirmou que as armas encontradas em sua casa por policiais civis e promotores de Justiça serviam para a proteção de sua família e foram compradas quando ele ainda estava na corporação.

O ex-PM foi ouvido no processo em que responde por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito. Foram encontradas em sua casa duas pistolas e mais de 100 munições, a partir de um mandado de busca e apreensão relativo ao processo que investiga os assassinatos da parlamentar e do motorista.

Ex-PM morto

O ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro Adriano Nóbrega foi morto no último dia 9 de fevereiro, durante operação policial, no município de Esplanada, na Bahia. Nóbrega era investigado por diversos crimes, e procurado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Ele também era procurado pelo envolvimento nas mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Franco.

Adriano tinha ligações com Fabrício Queiroz, apontado pelo ministério público como envolvido no esquema das chamadas “rachadinhas” do senador Flávio Bolsonaro. Flávio, por sinal, condecorou Adriano da Nóbrega quando era deputado estadual pelo Rio de Janeiro.

Bolsonaro

Reportagem de outubro de 2019 da TV Globo afirmou que que o porteiro do condomínio em que mora o presidente Jair Bolsonaro – então deputado federal pelo Rio de Janeiro – contou à polícia que, horas antes do assassinato, o suspeito do crime teria ido ao condomínio e dito que iria à casa de Bolsonaro. A entrada teria sido liberada por alguém na casa dele, a de número 58. Ele depois se dirigiu à casa do outro suspeito, 65.

A notícia foi rebatida por Jair Bolsonaro em transmissão via internet, e pelo filho do presidente – o vereador Carlos Bolsonaro. O ministro da Justiça, Sérgio Moro, pediu instauração de inquérito para investigar o depoimento do porteiro.

Em novembro, veio a público a informação de que no link de controle da chamada cota parlamentar do portal da Câmara dos Deputados mostra a compra de dois bilhetes de passagem aérea de Brasília para o Rio de Janeiro em nome do presidente Jair Bolsonaro. As duas passagens, ambas pela Gol, tinham código WQ2GUH (com destino ao Santos Dumont) e a outra, de código YG3JQI (dirigia-se ao Galeão). O bilhete destinado ao Santos Dumont, no dia seguinte, foi estornado, possivelmente por não ter sido usado.

Em dezembro do mesmo ano, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acolheu manifestação do procurador-geral da República, Augusto Aras, e determinou o arquivamento de dois pedidos de investigação contra o presidente da República, Jair Bolsonaro, e de seu filho Carlos Bolsonaro pela suposta prática de obstrução de justiça. 

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