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Polícia Federal realiza terceira fase da Operação Sangria em Manaus

A Polícia Federal (PF) no Amazonas deflagrou, na manhã desta segunda-feira (29/11), a terceira fase da Operação Sangria em Manaus. A investigação trabalha com a hipótese de que funcionários da Secretaria de Saúde do Amazonas (SES-AM) montaram uma organização criminosa e compraram respiradores superfaturados na primeiro pico pandemia do novo coronavírus.O grupo também é acusado de fraude em licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro.

A ação da Polícia Federal visa a cumprir 4 (quatro) mandados judiciais de busca e apreensão expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), todos na cidade de Manaus. Um dos alvos é o secretário de Estado chefe da Casa Militar do governo Wilson Lima, coronel Fabiano Machado Bó.

Segundo comunicado da Polícia Federal, a partir de provas adquiridas após o cumprimento dos mandados judiciais nas fases anteriores, identificou-se que funcionários do alto escalão da Secretaria de Saúde do Amazonas direcionaram em favor de uma empresa investigada uma licitação cujo objeto seria a aquisição de respiradores pulmonares, sob orientação da cúpula do Governo do Estado. Antes da abertura da licitação, a empresa investigada adquiriu parte dos respiradores pulmonares em outro Estado da Federação. O próprio Governo do Amazonas trouxe, mediante transporte aéreo, os equipamentos adquiridos pela empresa, custeando o frete.

Ainda segundo a PF, com a chegada dos respiradores pulmonares em Manaus, a empresa investigada, mediante acerto, repassou-os à empresa comercializadora de vinhos. Em seguida, houve a adjudicação da dispensa de licitação fraudulenta em favor da empresa distribuidora de bebidas, a qual entregou os produtos que a empresa investigada já tinha adquirido de fornecedores e o próprio Governo do Amazonas os transportou para Manaus no dia anterior à contratação da empresa de vinhos.

As triangulações realizadas entre as empresas investigadas, bem como o fretamento aéreo dos respiradores pulmonares custeado pelo Governo do Amazonas, aumentaram a margem de lucro ilícita dos investigados. O Edital de dispensa de licitação deixou claro inclusive que tais custos deveriam ficar à cargo da empresa contratada, e não do Governo.

Os indiciados poderão responder pelos crimes de fraude à licitação, peculato, pertencimento a organização criminosa e lavagem de dinheiro. Se condenados, poderão cumprir pena de até 30 anos de reclusão. O nome da operação é uma alusão às suspeitas de que uma revendedora de vinhos tenha sido utilizada para desviar recursos públicos que deveriam ser destinados ao sistema de saúde.


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