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Bolsonaro, Dória e a terrível arte de brincar com a vida dos brasileiros

Não há dúvidas que o presidente da República, Jair Bolsonaro (Sem Partido) e o governador de São Paulo, João Dória (PSDB) desejam a cadeira presidencial a partir de 2023. E, ao se enxergarem como adversários nesse objetivo, estão fazendo da pandemia do novo coronavírus o palco dessa disputa. Só que, ao fazer isso, ambos brincam com as vidas dos brasileiros e podem, cada um a sua maneira, comprometer a única arma capaz de acabar com esse pesadelo e salvar vidas: a vacinação.

Desde o princípio, Bolsonaro e Dória estão tratando todas as ações de enfrentamento da pandemia como uma questão política. A disputa agora é pela obrigatoriedade da apliação da Coronavac, vacina desenvolvida pela empresa Sinovac, da China, que está sendo testada em São Paulo e já tem um acordo de produção e distribuição com o Instituto Butantan.

De um lado, Bolsonaro tenta atrapalhar o processo de vacinação em São Paulo, usando argumentos baseados em xenofobia, ao colocar em dúvida a Coronavac pelo fato dela ser chinesa até a falácia da liberdade individual de não se vacinar, o que “violaria” as liberdades individuais do cidadão.

Na sua cabeça, ninguém pode ser obrigado a se vacinar, mas pode ser obrigado a se infectar pela decisão alheia. Não é preciso muita inteligência pra entender que isso é não apenas imoral, como crime de contágio. Portanto, Bolsonaro mente ao dizer que ela não poderá ser obrigatória. Isso sem contar que o próprio assinou medida no começo deste ano autorizando medidas legais contra quem não se vacinar. Explicamos tudo aqui.

Do outro lado, porém, Dória também faz tudo para atrapalhar ao usar um discurso populista completamente irresponsável de prometer vacinação para o final deste ano e início de 2021 sem qualquer garantia que poderá cumprir tão promessa.

Ora, só há uma maneira de acabar com a pandemia atingindo a tão sonhada imunidade coletiva: com vacinação em massa. Mas pra isso é preciso duas coisas: que a vacina impeça as pessoas de se contaminarem e a população tenha ela aplicada em seu corpo. Mas para que cada um de nós vá ao posto de saúde e receba sua dose, é preciso confiar que essa substância fará isso. E não há como confiar em qualquer tratamento sem que as etapas de pesquisa e avaliação científica comprovem sua eficácia. Pular ou apressar essas etapas é dar um tiro de escopeta no próprio pé.

Sobre a obrigatoriedade, a lei precisa ser cumprida, o que não significa que será pela força bruta. O melhor caminho é a educação e o diálogo. Ao insistir no discurso da força, Dória joga a favor de Bolsonaro. Embora sempre existam idiotas irresponsáveis que não queiram se vacinar, a maioria da população deseja ficar protegida e acabar com todo esse pesadelo. Mas pra isso precisa confiar nas autoridades. Por isso, a conscientização e a informação são os melhores aliados.

Se continuar nesse ritmo, não é só a Coronavac quem entrará em descrédito por culpa de uma estúpida guerra de narrativas. Podemos chegar a situação inacreditável de termos uma vacina capaz de salvar vidas e não salvá-las. Para Bolsonaro e Dória, a única coisa que interessa é impor uma “derrota” ao outro. E nesse jogo, nós, cidadãos, somos meros peões descartáveis. Não podemos permitir isso.

Fotos: EBC

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