Amazonas

É hora de cobrar os responsáveis pelo massacre ocorrido em Manaus

Após um estudo sugerir que 66% da população de Manaus já pode ter sido infectada pelo novo coronavírus (SARS-COV-2) e após o estado do Amazonas ultrapassar a inacreditável e vergonhosa marca de mil mortos por milhão de habitantes, é hora de cobrar os autores desse massacre. Porque não há outra palavra pra definir o que aconteceu com a capital do estado em 2020.

Poder Legislativo e Judiciário precisam começar a fazer jus ao seu polpudo salário pago pelo contribuinte e não apenas investigar, mas apontar responsabilidades. Atualmente, corre uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembleia Legislativa do Amazonas que parece ter mais interesse em atacar politicamente o governador Wilson Lima do que estabelecer a sua responsabilidade na resposta à pandemia.

Lima já é investigado pela Polícia Federal por fraudes na compra de respiradores, mas não foi apenas por isso que milhares de manauenses morreram. Não seria o caso de concentrar esforços em outras frentes de investigação? Por que não foi decretado o lockdown em abril, quando o contágio crescia exponencialmente? Por que o uso de máscaras não foi (e ainda não é) fiscalizado com ações ostensivas da Polícia? Por que não foram tomadas medidas contra o crime de contágio promovido por empresários locais que foram em carreatas protestar contra o isolamento enquanto centenas de pessoas morriam em casa ou em hospitais em colapso?

Mas é preciso estabelecer também que Wilson Lima não é o único que precisa responder pelo que aconteceu. É público que a taxa de isolamento caiu em todo o quando o presidente Bolsonaro usou a TV em 24 de março para minimizar a pandemia. No Amazonas, onde sua votação foi expressiva, o pronunciamento coincide com o pico de mortes justamente três semanas depois. Ou seja, sua fala incentivou a população a furar a quarentena, se expor ao contágio e morrer.

Isso sem contar sua ação criminosa ao usar a Advocacia-Geral da União para impedir o bloqueio de viagens ao interior para frear o avanço do vírus. Bolsonaro também usou o mesmo órgão para impedir o monitoramento de aeroportos pelo país, o que contribuiu para a entrada de pessoas contaminadas de outros países que circularam sem o devido monitoramento, espalhando o vírus pela capital e consequemente pelo estado.

Fica a pergunta: os poderes Legislativo e Executivo, incluindo Câmara Municipal, Assembleia Legislativa e Ministério Público vão simplesmente assistir? Já não basta a omissão ocorrida nos primeiros meses da pandemia?

Foto: Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom)

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