Amazonas

Testagem de profissionais de educação do Amazonas contém erro perigoso

A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) realizou, em três dias (18 a 20/08), 534 testes rápidos para diagnóstico de Covid-19 em profissionais de educação de Manaus. Desse total, 162 (30%) testaram positivo e foram afastados para período de isolamento. No entanto, afastar os profissionais que testaram positivo em testes rápidos e manter em atividade os que testaram negativo, embora pareça uma boa ideia, é na verdade uma estratégia perigosa.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, os chamados testes rápidos (ou sorológicos) indicam contato anterior do paciente ao Sars-Cov-2. Ou seja, tais testar negativo neste caso significa ainda estar suscetível à doença. O Portal Vocativo já explicou anteriormente como funcionam esses testes. Um resumo rápido também pode ser visto abaixo:

“O único teste aceito e confiável para diagnóstico da fase ativa da doença é o teste molecular, chamado RT-PCR, que é o teste feito com cotonete swab nasoral. Os testes rápidos servem para identificar anticorpos que aparecem depois da fase aguda, eles têm uma enorme variabilidade, sensibilidade e especificidades que variam muito de teste para teste” alerta o Dr. Lauro Ferreira Pinto, infectologista da Central Nacional Unimed.

 “A razão é muitos simples: várias pessoas vão fazer o teste rápido e dar positivo, mas não vão estar na fase aguda, vai ser o falso-positivo. E várias pessoas vão dar teste rápido negativo e vão estar na fase aguda, são os testes rápidos falso-negativo. O único teste aceitável é o de biologia molecular. Qualquer empresa, município ou estado que pretender fazer diagnóstico de Covid na fase ativa com o teste rápido, vai ter uma falsa informação para guiar suas condutas, logo terá um direcionamento errado”, explica.

Balanço

O resultado, segundo a FVS-AM, mostra que o percentual de contaminados segue a média registrada na primeira semana, em testagens de outros profissionais, como das áreas da segurança (36%) e saúde (38%), que, posteriormente, apresentaram redução na taxa.

Os resultados dos testes rápidos, o trabalho de vigilância ativa junto aos profissionais da educação e a situação epidemiológica da Covid-19 no Amazonas foram apresentados, na tarde desta sexta-feira (21/08), pela diretora-presidente da FVS-AM, Rosemary da Costa Pinto, a representantes do Ministério Público do Estado (MPE) e Federal (MPF), Ministério Público do Trabalho (MPT) e Defensoria Pública do Estado (DPE), além do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinteam).

Os testes rápidos para profissionais da educação começaram a ser realizados pelo Governo do Amazonas na última terça-feira. Em três dias, foi feita a testagem em 534 profissionais, sendo que 162 deram positivos, dos quais 139 com IGM e IGG positivos. O comunicado da Secretaria de Comunicação do Governo afirma que os profissionais que testaram positivo tenham anticorpos para a Covid-19, o vírus conti ainda possuem o vírus ativo, informação contestada por diversos profissionais da área médica.

“Se o teste rápido for realizado nos primeiros dias da infecção, dentro da janela imunológica, possivelmente dará um falso negativo, gerando uma sensação equivocada de segurança naquele paciente”, afirma Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abrame). “Resultados falso positivo ou falso negativo colocam as estratégias de contenção do vírus em risco”, pondera.

“Na prática clínica, estes exames vêm servindo muitas vezes como fator de confundimento na avaliação de possíveis casos de Covid-19, uma vez que resultados negativos não excluem a doença e, nem mesmo resultados reagentes para anticorpos IgM ou IgG são possíveis de serem interpretados de forma fidedigna de modo a fechar um diagnóstico. Eles também apresentam baixa especificidade, podendo de outra forma apresentar resultados falsos positivos, inclusive por interferência de outras doenças, vacinas ou mesmo em pacientes que apresentaram infecção prévia por outros tipos de coronavírus”, afirma André Patrício de Almeida, infectologista da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT).

Foto: Secretaria de Estado da Comunicação (Secom)

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