Se dependesse de Bolsonaro, seriam 300 mil mortos

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08 de agosto de 2020. Nesse triste dia, o Brasil registra oficialmente 100 mil mortos na pandemia do novo coronavírus. Quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou a pandemia, sabíamos que uma tragédia estava a caminho. Temos a consciência de que vidas seriam perdidas. No entanto, há duas perguntas a serem feitas: quantas poderiam ser salvas e tudo que poderia ter sido feito foi feito? A resposta é não. E o principal nome a ser responsabilizado se chama Jair Messias Bolsonaro.

Apontar Bolsonaro como único responsável seria injusto com muitos que, à sua maneira, ajudaram nesse massacre. E todos terão de ser apontados no devido tempo. Mas não há como o esconder que o presidente do Brasil foi fundamental para essas mortes. E precisa responder criminalmente por isso.

Desde o princípio, a única alternativa para combater o novo coronavírus era o isolamento social. Em março, no entanto, Bolsonaro usou as redes de Televisão e as redes sociais para atacar o isolamento. É canalhice imaginar que pessoas que deram seu voto a um homem para que ele administrasse o país não o escutariam em momento de crise. Logo, apenas aquele pronunciamento deveria levar Bolsonaro ao impeachment e ao banco dos réus.

O resultado foi imediato: as taxas de isolamento social caíram no dia seguinte, as de contágio subiram e as mortes vieram a reboque nas semanas subsequentes. Ou seja, a fala de Bolsonaro levou pessoas à exposição, ao contágio e à morte.

Uma das principais medidas de contenção era o monitoramento minucioso de fronteiras, para evitar que cidades com problemas no seu sistema de saúde ficassem sobrecarregadas. Bolsonaro usou a Advocacia-Geral da República para IMPEDIR que tal medida fosse tomada. E a Covid-19 avançou rapidamente pelo interior.

Foi preciso uma ação judicial para evitar que Bolsonaro simplesmente acabasse com o já insuficiente isolamento promovido pelos gestores locais. Ou seja, não fosse o Supremo Tribunal Federal (STF) e governadores, teríamos zero isolamento social há meses e hoje o número de vítimas seria na casa dos 200, 300 ou 500 mil mortos.

Aliás estamos fazendo algo simbólico. Essa marca, de 100 mil mortos, já foi passada há meses. Isso porque também era fundamental a testagem para o monitoramento dos casos, para permitir que contaminados fossem devidamente isolados, bem como quem estava ao redor. Algo que exige coordenação e planejamento de profissionais especializados. E não tivemos isso porque o presidente teve seu ego ferido por dois ministros, demitidos por não se submeterem ao seu capricho de adotar um remédio que simplesmente não funciona contra a Covid-19.

Temos 100 mil mortos. Teremos mais. Quantos? Impossível saber. Só o que nos resta é nos proteger como for possível e os que amamos. E rezar para que a medicina encontre tratamentos e vacinas para esta doença. E torcer para que o governo Bolsonaro não seja incompetente o bastante para atrapalhar uma eventual vacinação.

A história julgará Bolsonaro. E se o presidente acha que criar dossiês ou espionagem por agentes pagos com dinheiro público contra os críticos mudará os fatos ou impedirá a imprensa e a sociedade de denunciar sua conduta criminosa, não perde por esperar.

Não esqueceremos essas vidas. Não esqueceremos que muitas delas poderiam ter sido salvas. Não esqueceremos a dor de suas famílias. E não vamos descansar até que cada uma delas tenha a devida justiça.

Foto: Semcom – Manaus

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