Cotidiano

Novo estudo mostra que hidroxicloroquina não funciona contra a Covid-19

Um estudo publicado nesta quinta-feira (23) traz mais evidências de que a hidroxicloroquina não traz qualquer benefício para pacientes com a Covid-19, nem mesmo nas fases iniciais da doença. O experimento, publicado na revista científica New England Journal of Medicine (NEJM), envolveu 667 pacientes divididos em três grupos e já foi revisado por pares, isto é, quando outros cientistas avaliam os resultados, o que dá mais confiabilidade aos dados obtidos.

Na primeira parte do estudo, os pacientes receberam doses de 400mg de hidroxicloroquina duas vezes Os pacientes foram divididos em três grupos e avaliados ao longo de 15 dias. O primeiro grupo não recebeu doses do medicamento. O segundo recebeu duas doses diárias de 400mg de hidroxicloroquina. Já o terceiro grupo, além das duas doses diárias de 400mg de hidroxicloroquina recebeu também uma dose diária de 500mg de azitromicina, uma vez ao dia por 7 dias.

O estudo incluiu pacientes com 18 anos de idade ou mais e que foram hospitalizados com suspeita ou confirmação de Covid-19 com 14 ou menos dias desde o início dos sintomas. A entidade afirma que todos os pacientes forneceram consentimento informado por escrito ou eletrônico antes do procedimento.

O estudo observou que tanto o uso de hidroxicloroquina sozinha ou juntamente com a azitromicina não melhorou o estado clínico dos pacientes hospitalizados com sintomas leves ou moderados de Covid-19 ao longo dos 15 dias, em comparação com o tratamento padrão.

A realização deste trabalho envolveu três grupos em 55 hospitais no Brasil. O estudo foi elaborado pelo comitê executivo do NEJM e aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANVISA) do Brasil. nos sites participantes.

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Covid-19: estudo aponta ineficácia de tratamento com hidroxicloroquina

Pesquisa envolveu 667 pacientes em 55 hospitais de todo o país

Publicado em 23/07/2020 – 20:01 Por Jonas Valente – Repórter Agência Brasil – Brasília

Um estudo promovido por pesquisadores de um consórcio de instituições de saúde brasileiras concluiu que a hidroxicloroquina não é eficaz para o tratamento de casos precoces da covid-19. A pesquisa foi publicada no periódico New England Journal of Medicine hoje.

Os pesquisadores da Coalizão Covid-19 Brasil conduziram um ensaio clínico randomizado de 15 dias com três grupos, envolvendo um total de 667 pacientes em 55 hospitais de todo o país. Para um grupo foi ministrada apenas hidroxicloroquina, para outro hidroxicloroquina e azitromicina e para o terceiro nenhum dos remédios, com tratamento denominado padrão.

Foi empregado um modelo de análise com uma escala de sete níveis de acordo com a situação e saúde dos pacientes, indo da não hospitalização sem comprometimento de atividades à morte em função da doença.

Os autores não encontraram efeitos do uso de hidroxicloroquina sozinha ou com azitromicina em comparação aos pacientes que não receberam os remédios, do denominado grupo-controle.

“Entre os pacientes com covid-19, não houve diferença entre grupos nas probabilidades proporcionais entre grupos de ter um desempenho pior na escala de sete pontos ordinais no fim do período de 15 dias”, afirmam os pesquisadores no artigo.

Na escala, em que 1 são as melhores condições de saúde e 7 é a morte por covid-19, o grupo que recebeu o tratamento padrão teve percentual maior do que os pacientes cujo tratamento foi feito com hidroxicloroquina apenas (68% contra 64%) no número de pessoas que permaneceram no Estágio 1, com melhor quadro de saúde.

O estudo também identificou mais efeitos adversos entre quem recebeu hidroxicloroquina com azitromicina (39.3%) e hidroxicloroquina (33,7%) do que no grupo com tratamento padrão (18%).

Consórcio

Os pesquisadores da Coalizão Covid-19 Brasil fazem parte das equipes dos hospitais e institutos Albert Einstein, HCor, Alemão Oswaldo Cruz, Beneficiência Portuguesa e Sírio Libanês, de São Paulo, e Moinhos de Vento, de Porto Alegre.

Governo

O estudo vai em sentido contrário do que tem defendido o governo federal. Sob a gestão interina de Eduardo Pazuello, o Ministério da Saúde passou a recomendar o uso de cloroquina e hidroxicloroquina também em casos precoces e como prevenção, a partir da decisão do médico. Até então o medicamento era recomendado apenas em casos médios e graves, pelas possibilidades de complicações.

Em entrevistas coletivas, representantes do MS afirmaram que havia evidências de eficácia da cloroquina, embora sem listá-las. Na semana passada, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) recomendou a retirada da cloroquina e da hidroxicloroquina do tratamento da covid-19.

No dia 19 de julho, a Associação Médica Brasileira (AMB) defendeu em nota a autonomia do médico para prescrever o medicamento com a anuência do paciente.

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