Opinião

Aceite: será preciso conviver com a Covid-19 por mais algum tempo

Entre as notícias sobre a vacina e ela estar em você, há um longo e incerto caminho

A divulgação de resultados preliminares envolvendo possíveis vacinas contra a Covid-19 inundou a internet com otimismo. Cansadas da rotina estressante dos últimos meses, onde a existência de um vírus perigíssimo causou centenas de milhares de mortes pelo mundo e privou a todos de diversos hábitos, muitos se agarraram a essas notícias com a esperança da volta à normalidade dentro de alguns meses. Sem querer ser o chato da ocasião, mas não será assim tão simples.

Para que a humanidade possa anunciar que está livre do novo coronavírus, seria preciso a sonhada imunidade coletiva (também chamada imunidade de rebanho). Ou seja, quando uma parcela significativa das pessoas (fala-se em 40%, 60%, 90% de uma coletividade, ainda não se sabe ao certo) estiver comprovadamente imunizada.

E isso só poderá acontecer de duas maneiras: A) Se for produzida uma vacina eficiente e as pessoas puderem ter acesso a ela; B) Se boa parte das pessoas for infectada, sobreviver e a imunidade surgida dessa infecção for protetora e durar muito tempo. Como o plano B é completamente incerto e o custo em vidas humanas seria inaceitável, melhor ficar com o plano A mesmo.

Só que fabricar uma vacina não é como fabricar chiclete. Não há uma fórmula pronta. A medicina está testando todos os mecanismos conhecidos (e muitos totalmente inovadores) para criar a sonhada vacina na tentativa de encontrar uma que resolva nosso problema. É como praticar tiro ao alvo. O caso é conseguir acertar de primeira. E está tentando fazer isso ao mesmo tempo em que procura entender essa nova doença. Ou seja, não é uma tarefa fácil.

Atualmente, há três vacinas iniciando a terceira de três fases de testes, justamente a mais importante porque é quando os efeitos de imunidade vão ser observados, ou seja, se ela será capaz de nos proteger do Sars-Cov-2. Só que, pra essa observação é preciso tempo, algo que a ciência não tem como “acelerar”. É esperar e torcer para dar certo.

Aí entra outro aspecto importante: a dificuldade logística. Além de fabricar a vacina em si, é preciso pensar nos materiais pra injetar ela em você (ampolas, seringas, álcool, algodão) e nas pessoas que farão isso. Pense bem: não basta vacinar apenas eu e você, mas bilhões de pessoas no mundo todo, em questão de meses, nos lugares mais distantes da Terra. Afinal, sem imunidade coletiva, ninguém estará 100% a salvo.

Significa que não devemos ter esperança? Claro que não. As notícias são muito boas, mas entre essas notícias e o dia em que você sairá de casa para tomar a bendita vacina, há um longo e incerto caminho. É preciso ser honesto com você: as chances de sair uma vacina são grandes, mas também há a chance dela demorar e até não sair. Enquanto a resposta não vem, temos de viver da melhor forma possível e torcer. Mas dá pra fazer isso de maneira segura e produtiva.

Mesmo com a Covid-19 ainda presente mundo afora, é perfeitamente possível ter uma vida melhor do que tivemos no primeiro semestre deste ano. Países como Alemanha, Uruguai, Coreia do Sul e outros estão conseguindo retomar várias atividades. E não, não tem a ver com dinheiro, mas com organização e disciplina. E trabalho de equipe. Você e o poder público (União, Estados e Municípios).

Estudos recentes publicados aqui mostram que medidas de proteção (higiene, máscaras e distanciamento físico) não apenas diminuem a transmissão do vírus como protegem as pessoas das formas mais graves da Covid-19. Isso explica como esses e outros países estão conseguindo retormar diversas atividades sem uma segunda onda da pandemia.

Ainda não é o caso de muitas regiões do Brasil, mas quando a quantidade de casos baixar, com os devidos cuidados e testes em larga escala, poderemos fazer o mesmo. Isso depende principalmente de você. Faça sua parte e cobre das autoridades que eles façam a parte deles.

Também é importante cobrar o governo federal para que ele prepare a estrutura do nosso sistema saúde e garanta a distribuição da vacina para a todos. O ideal é ser realista e estar preparado: os pesquisadores estão dando o máximo para encontrar a vacina. Mas ficar esperando por ela não é uma opção. Resta a cada cidadão se proteger. E levar a vida enquanto isso.

Foto: EBC

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