Pandemia amplia desigualdade no sistema educacional, diz estudo do Ipea

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Alunos aprendem a prevenção ao novo coronavírus (Covid-19) na Escola Municipal Pedro Ernesto, através de cartazes, trabalhos escolares, e medidas de higiene e convívio pessoal.

A pandemia de Covid-19 aprofundou as desigualdades no sistema educacional brasileiro, no que se refere à infraestrutura sanitária e tecnológica. É o que revela análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), com base em dados do Censo Escolar de 2019 sobre escolas federais, estaduais, municipais e particulares. De acordo com a pesquisa, 27% das escolas dos ensinos fundamental e médio não possuem acesso à internet e 44% de todas as escolas não são atendidas por rede pública de esgoto.

O estudo, intitulado A Infraestrutura Sanitária e Tecnológica das escolas e a retomada das aulas em tempos de Covid-19, utiliza informações sobre matrículas, estabelecimentos e docentes do Censo Escolar 2019, produzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A análise da infraestrutura sanitária considera todas as escolas do país. Sob o aspecto tecnológico, o estudo abrange as institutições de ensinos fundamental e médio.

Das 134.153 escolas de ensinos fundamental e médio presentes em todo território nacional, 34 mil são apenas as que não têm internet. Os estados que apresentam o menor percentual de infraestrutura tecnológica são Acre (27%), Amazonas (31%), Maranhão (36%) e Pará (38%). Já os locais que oferecem maior número de escolas com internet são o Distrito Federal (98%) e Mato Grosso do Sul (98%), seguidos dos estados de Goiás (97%), Rio Grande do Sul (97%) e Santa Catarina (97%).

“Municípios mais pobres, com crianças de baixa renda, têm escolas com menos recursos”, resume o economista Luís Cláudio Kubota, autor do estudo. De acordo com o pesquisador, a paralisia das atividades escolares, provocada pela pandemia do novo coronavírus, evidencia e aprofunda o desequilíbrio social.

Além da precariedade tecnológica das escolas, o estudo mostra que os alunos com menor acesso à internet e a dispositivos, ou aqueles cujos responsáveis têm menor escolaridade e menor disponibilidade para acompanhar as atividades de ensino remotas, são os mais prejudicados. Essas desigualdades não serão resolvidas com o retorno às aulas, uma vez que os protocolos de prevenção preveem o rodízio de alunos, com parte assistindo às aulas presencialmente e parte remotamente.

Outro dado preocupante, revelado pelo Censo Escolar de 2019, é que 44% das escolas não são atendidas por rede de água e esgoto e 22,4% não contam nem mesmo com fossas sépticas. O problema é mais grave nas regiões Norte e Nordeste e em bolsões das regiões Centro-Oeste e Sul. A precariedade da infraestrutura sanitária complica o retorno às aulas. “As escolas que não dispõem de água tratada vão precisar de um investimento maior no sentido de prover álcool gel e outras soluções paliativas, o problema estrutural não será resolvido no curto prazo”, pondera Kubota.

Além de prejuízos inevitáveis, como o atraso no processo de alfabetização das crianças, a falta de estrutura durante a pandemia pode aumentar outro grande problema brasileiro: a evasão escolar. “Se a criança já não estava completamente envolvida no ambiente da escola, esse tipo de dificuldade acaba se tornando um pretexto ou um facilitador”, alerta o pesquisador.

Leia a íntegra do estudo.

Com informações da Assessoria de Imprensa e Comunicação. Foto: EBC

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