Amazonas: em meio a escândalo, projeto local de respiradores é esquecido

0

O governo do Amazonas se viu envolvido esta semana em um escândalo nacional. O governador Wilson Lima e vários secretários da sua administração são acusados pelo Ministério Público Federal de superfaturamento na compra de 28 respiradores, que seria usados durante a pandemia do novo coronavírus no Estado. O mais interessante, porém, é que o próprio governo apresentou uma alternativa local, mais barata e acessível. No entanto, abanou essa opção de maneira inexplicável.

No dia 31 de março, um mês antes do pico de mortes de Covid-19 no Estado, o governo anunciou acordo para a produção de um protótipo de respiradores desenvolvidos pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o Serviço Nacional da Indústria (Senai). Na época, o comunicado avisava que o equipamento ainda não era compatível com os usados nos hospitais, mas poderia ajudar na manutenção da vida de um grande número de pacientes, caso fosse aprovado para produção em escala.

A reunião onde foi apresentada a iniciativa aconteceu no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) e contou com a presença do então secretário de saúde, Rodrigo Tobias, além do então superintendente da Zona Franca de Manaus, coronel Alfredo Menezes, e do vice-presidente da Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, representantes da indústria e da universidade estadual apresentaram à Secretaria de Estado de Saúde (Susam) seus projetos de respiradores.

O produto contou com apoio de médicos da rede estadual e privada de saúde na parte de desenvolvimento e testagem, e depende de material para a produção em escala e das licenças necessárias para produtos recém-desenvolvidos.

Perdido na burocracia

Questionada, a Secretaria de Estado da Comunicação (Secom), limitou-se a dizer: “recomendamos que entre em contato com a Cieam, coordenador dessa iniciativa que foi apresentada ao Governo do Estado como alternativa. A entidade deve ter informações sobre o andamento do projeto”.

A Honda afirmou, por meio de nota enviada ao Portal Vocativo, que a empresa e a Universidade Estadual do Amazonas estão seguindo as etapas preestabelecidas para o projeto e que o protótipo está em fase de testes médicos. Alegou ainda que somente após concluir essas etapas, será possível avaliar a viabilidade da produção do equipamento.

Já a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi procurada ao longo de uma semana, mas não respondeu aos questionamentos.

Rodrigo Tobias

O secretário de saúde na época do anúncio dos respiradores do Senai, Rodrigo Tobias, foi demitido no dia 08 de abril, no auge da pandemia. Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa do Amazonas, Tobias afirmou que declarou que era contra a compra de 28 respiradores alvos de investigação, mas que foi convencido a autorizar o início do processo.

São Paulo

Esse não é o único projeto nacional de fabricação de ventiladores pulmonares. Um grupo de engenheiros da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP) também desenvolveu um equipamento para ajudar pacientes com quadro grave da Covid-19. O modelo está em fase final de aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O aparelho poderá ser fabricado em 2 horas e custará cerca de R$ 1 mil, 15 vezes menos do que os aparelhos comerciais mais baratos, segundo os pesquisadores da Poli.

Foto: Divulgação/Susam

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui