Amazonas

CPI aponta contradições em depoimento de consultora do governador Wilson Lima

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa do Amazonas ouviu nesta segunda-feira (06) o depoimento de Carla Pollake, consultora de mídias do governador do Estado, Wilson Lima. Pollake é apontada como peça chave na tomada de decisões suspeitas da atual gestão em projetos executados durante o momento de pandemia no estado do Amazonas.

Carla Pollake (a segunda da esquerda para a direita) ao lado da então secretária de Saúde, Simone Papaiz, no lançamento do Anjos da Saúde

O principal foco da investigação neste momento é o ‘Anjos da Saúde’, programa idealizado pela Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico e Social (Aades), avaliado em R$ 6 milhões, foi criado com a justificativa de levar assistência humanitária a pacientes com coronavírus. Segundo parlamentares, a iniciativa foi usada por Carla Pollake e seu marido para obter vantagens pessoais. Desde que foi criado, em 09 de abril deste ano, o Anjos da Saúde já recebeu R$ 2,5 milhões da Secretaria de Saúde (Susam).

Os membros da CPI afirmam ter encontrado inúmeras contradições no depoimento, ao apresentarem documentos, matérias, fotos e até mesmo prints de conversas em grupo de whatsapp que comprovariam a ligação e influência de Pollake junto ao governador Wilson Lima. Diante dos fatos, foi aprovado requerimento que solicita ao Ministério Público Federal no Amazonas (MPF-AM) que investigue todas as relações e interesses lícitos e ilícitos da depoente com a atual gestão.

“Ficou clara a participação da senhora Carla no projeto Anjos da Saúde e também do marido, com entrevistas concedidas por ele mesmo se intitulando como parte da iniciativa. É certo que ela iniciou e executou o programa no valor de R$ 6mi, sendo R$ 2,5mi já pagos. Já que ela alega ser apenas voluntária, encaminhamos ao MPF pedido para que apure qual a real relação financeira dela com o governo”, disse o presidente da CPI, deputado estadual Delegado Péricles (PSL).

De acordo com o parlamentar, crimes como falsidade ideológica, tráfico de influência, dentre outros, devem ser apurados. “Se ela diz que era apenas voluntária, mas mesmo assim utilizava cartão de visita oficial do Governo do Estado, já indica utilização de uma falsa identidade, além de isso demonstrar que ela pode ter feito isso para obter vantagem em outros negócios. Tráfico de influência também deve ser apurado”, continuou.

Durante todo o depoimento, Pollake negou qualquer influência ou autoridade direta sobre as ações e comandos do Governo do Estado. Segundo ela, todo o serviço de “consultoria” foi realizado gratuitamente por amizade ao atual governador do Amazonas. No entanto, imagem do cartão de visita oficial do executivo estadual com o nome dela, além de print de conversa em grupo de mensagens com diretores de SPAs, onde ela aparece como a responsável por adicionar a ex-secretária de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), Caroline Brás, foram apresentados pela comissão como provas de que a influência dela era maior no âmbito governamental.

Carla Pollake foi citada durante os depoimentos do ex-secretário executivo da Susam, João Paulo Marques; e do ex-secretário Rodrigo Tobias. De acordo com depoimentos, ela teria convocado reunião para apresentar a agora ex-secretária de Estado de Saúde, Simone Papaiz, ainda, comunicado o ex-secretário da existência do projeto Anjos da Saúde, sem que ele sequer tivesse sido aprovado pela equipe técnica da pasta.

Foto: Assessoria do Deputado Fausto Jr.

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