Brasil

Ricos e bancos terão de escolher: ajudar ou quebrar

É um processo de lógica simples. Vamos deixar a questão ética e humanitária de lado por um momento e pensar de maneira pragmática.

Cerca de 65% da economia brasileira é sustentada pelo consumo das famílias. Aquilo que eu e você compramos no cotidiano. Quando saímos no final de semana ou vamos ao supermercado. A conclusão não é minha, mas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), feita há 20 dias. Guarde esse número.

Em tempos de pandemia e incerteza do futuro, as pessoas naturalmente cortam supérfluos e concentram seu dinheiro em artigos essenciais, como alimentos e remédios. Ou seja, a compra de produtos como TV’s, celulares, tablets, roupas, imóveis, automóveis, brinquedos, cinema, materiais de construção e todo tipo de objeto que não seja alimentos e medicamentos cairá. E são todos esses produtos que formam essa faixa de 65%.

Ora, se o consumo cai, o faturamento cai. Se o faturamento cai, a arrecadação cai, tanto da iniciativa privada (venda), quanto do poder público (impostos). O problema é que não há nada a ser feito quanto a isso porque o coronavírus está aí.

Não há vacina e medicamento comprovadamente eficaz contra ele. Nem perspectiva de que isso surgirá em curto espaço de tempo. Essa situação está ligada diretamente aos efeitos da pandemia. Ou seja, enquanto o coronavírus circular, a economia vai continuar caindo. Mas, pra isso, só há um alternativa comprovadamente eficiente: ficar em casa.

Tanto governo federal quanto setores da indústria e comércio sustentam a fala de que as pessoas não podem ficar em casa “porque a economia quebrará”. Assim, ignoram o óbvio: quanto mais aglomerações, mais o vírus se espalhará, mais pessoas irão pra casa doentes, mais o medo se espalha, fazendo mais pessoas apertarem mais as contas (cortando o Ifood, por exemplo), mais o consumo cai e mais a base da economia brasileira se enfraquece. É um círculo vicioso.

Mas, se você mantém uma renda mínima, garantindo o sustento da população nesse período, você garante estabilidade emocional e principalmente financeira do consumidor. Sentindo-se protegido, ele não estoca produtos, consome de maneira mais racional e constante e acima de tudo: FICA EM CASA, diminuindo a circulação do novo coronavírus. Com isso, menos pessoas são infectadas, mais os hospitais e centros de pesquisa se desafogam na busca por vacinas e medicamentos, mais rapidamente a pandemia acaba, as pessoas retornam à normalidade e ao, olha só, consumo!

Mas essa renda não pode partir apenas do governo. Por mais boa vontade que o Estado possa vir a ter, há limites fincanceiros para isso. Quanto mais tempo o poder público arca sozinho com o atual cenário, mais tempo a crise demora e maior o risco dele simplesmente quebrar. Se o poder público quebrar, não haverá socorro pra empresários e bancos. E quando a pandemia acabar, não haverá bancos, empresas e consumidores porque não haverá dinheiro. E o caos reinará.

É preciso encarar e aceitar um fato: todo ser humano no planeta Terra perderá dinheiro neste período. Não há escapatória disso. A pandemia é uma realidade, ela não é uma simples gripe e não irá embora rapidamente, sendo que seu tempo vai ser proporcional ao tipo de medidas que vamos adotar.

Resta escolher: agir com inteligência ou estupidez.

Foto: EBC

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