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Coronavírus é problema para economia, mas crise é antiga, diz especialista

Desde o seu surgimento, o coronavírus tem sido usado como justificativa para o declínio da economia global. Diversos analistas do governo Bolsonaro também atribuem à doença a alta do dólar, que vem batendo recordes a cada semana. O mestre em Ciências Contábeis e professor de Ciências Econômicas da Universidade Santo Amaro, André Martins de Almeida, afirma que apesar dos claros reflexos que a disseminação de uma doença em escala global causa à economia, a responsabilidade do governo não pode ser ignorada.

“As pessoas usualmente lembram de crises derivadas dos aspectos econômicos e financeiros, tais como a Grande Depressão (1929), a Crise Global (2008) e, no caso brasileiro, a recessão de 2014 a 2016. As crises derivadas de doenças globais muitas vezes são esquecidas. Isto não significa que elas não têm potencial de gerar enormes estragos na economia”, explica.

Historicamente, as grandes epidemias (ex.: H1N1 e SARS) de certo modo impactaram negativamente na economia global. Isto porque, entre outros fatores, as epidemias tendem a prejudicar a oferta de produtos, a demanda agregada da economia e as expectativas dos agentes econômicos.

“A própria Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE e o Fundo Monetário Internacional – FMI concordam que as doenças globais prejudicam a economia. Aparentemente parece uma pequena redução do crescimento econômico, mas esse declínio do PIB já é suficiente para quebrar empresas, reduzir o número de empregos e, por fim, ampliar ainda mais a desigualdade social”, alerta.

É o caso para tanta preocupação?

André Almeida alerta para termos cuidado ao analisarmos os efeitos dessa nova epidemia na economia, pois, de fato, poderá mascarar problemas antigos.

“Por exemplo, no caso da economia brasileira, que já estamos em uma estagnação econômica há três anos, a crise derivada do novo Coronavírus vem apenas para aprofundar a situação do país”, pondera.

O país já passa por uma profunda crise fiscal (80% relação dívida/PIB), altíssima taxa de desempregados (11,2%), elevada desigualdade de renda (Índice de Gini 0,63).

Segundo o analista, a própria China, epicentro do novo Coronavírus, já sentia uma desaceleração econômica. Para se ter uma ideia, no terceiro trimestre de 2019, apresentou o pior PIB nos últimos 30 anos. Em parte, devido à guerra comercial com os EUA.

Há o que fazer

Para Almeida, a crise é um motivo a mais para o governo agir para evitar que a economia piore ainda mais.

“Os EUA e da Itália, por exemplo, já começaram a se mexer. O Federal Reserve (Fed, banco centro americano), surpreendeu o mercado ao cortar a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual. A Itália adotará, por sua vez, medidas fiscais, como créditos tributários aos empresários e redução de impostos, além de financiamentos a setores mais afetados da economia. O Fundo Monetário Internacional – FMI também já se prontificou em ajudar os países com maiores dificuldades no âmbito financeiro.

Como fica a população?

Hoje, ainda é difícil quantificar o impacto do novo Coronavírus para a população. Mas com certeza podemos afirmar que as pessoas serão atingidas pelos efeitos negativos dessa nova epidemia na economia mundial. É o que garante Almeida.

“O novo Coronavírus refletirá negativamente nas principais variáveis macroeconômicas. Ou seja, uma menor demanda agregada, refletirá em menores investimentos produtivos, menor arrecadação tributária, menor geração de emprego, menor índice de confiança das famílias, enfim, gerará um círculo vicioso na economia”, lamenta.

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