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Petroleiros em greve alertam para risco de desabastecimento de combustíveis

O Departamento Jurídico da Federação Única dos Petroleiros (FUP) deu entrada na tarde desta quinta-feira (13/2) no Tribunal Superior do Trabalho (TST) em uma petição direcionada ao ministro Ives Gandra. O documento propõe soluções para o impasse entre a Petrobrás e os petroleiros, que estão em greve nacional desde 1º de fevereiro.

Na petição, a categoria reforça que está disposta a negociar e suspender o movimento, como propõe desde antes de a greve ser deflagrada. Entretanto, a suspensão do movimento somente ocorrerá se a Petrobrás suspender imediatamente as dispensas coletivas na Fafen-PR; suspender a aplicação das novas tabelas de turno em suas unidades operacionais e também de suas subsidiárias; e retomar as negociações sobre estes e outros temas relativos ao Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), com garantia de que esse período de negociação não seja inferior a 30 dias, prorrogáveis por mais 30.

Com isso, os petroleiros alegam querer sensibilizar o ministro Ives Gandra, que se dispôs a mediar o impasse entre a categoria e a Petrobrás.

Desabastecimento

A FUP e seus sindicatos reforçam que estão há 13 dias em greve tentando reverter as demissões em massa na Fafen-PR. A Petrobrás, no entanto, não aceita negociar com os sindicatos.

Os grevistas afirmam estar tentando cumprir as condições determinadas pela Justiça, mas que a atual gestão da Petrobrás não estaria permitindo que os efetivos das unidades assumam suas funções para aumentar a produção e reduzir os preços dos derivados de petróleo.

Os grevistas alegam que a Petrobrás quer colocar a população contra os petroleiros, culpando-os por um possível desabastecimento que venha a ocorrer. “Se isso acontecer, a culpa será da intransigência dos gestores, e não da greve, já que os trabalhadores estão buscando negociar desde antes da deflagração do movimento, sem ter qualquer retorno da companhia” afirma nota enviada pelos petroleiros.

Temendo o desabastecimento, a FUP alerta a população para que fique atenta. Sobretudo por temer que a direção da Petrobrás possa provocar de forma premeditada a falta de produtos em algumas regiões do país.

“O fechamento de fábricas e a venda de refinarias aumentam o desemprego no país e pesam no bolso da população, que já sofre com os preços abusivos dos combustíveis. O que a FUP quer garantir são os empregos e preços justos para o gás de cozinha, a gasolina e o diesel”, reforça Deyvid Bacelar, diretor da FUP e integrante da Comissão Permanente de Negociação, que ocupa uma sala do edifício-sede da Petrobrás há duas semanas.

Mobilizações

A FUP e seus sindicatos promoveram hoje e realizam também amanhã a Campanha dos Combustíveis a Preço Justo. Nesta quinta (13), a campanha aconteceu em seis estados (RJ, ES, BA, AM, RS, PE). Em alguns locais, os petroleiros venderam botijões de gás de cozinha com preços em torno de R$ 40 – o preço médio do botijão no Brasil é de R$ 70. Em outros, houve distribuição de vouchers para compra de gasolina com desconto.

No gás de cozinha, a diferença no preço se refere basicamente às margens altíssimas de revenda e distribuição (45,6%) que são repassadas para a população, em sua maioria pessoas de baixa renda. Sem contar o valor da produção do gás de cozinha ou os custos de importação do produto. Para a FUP, a Petrobrás pode subsidiar uma pequena parcela de sua margem na produção, já que o gás de cozinha representa apenas 5% da receita da empresa. E ainda pode reduzir em um terço o custo de distribuição sem alterar o valor de revenda.

Além disso, os petroleiros realizaram na tarde desta quinta-feira, no Centro do Rio, uma manifestação em defesa da Petrobrás e pela redução do preço dos combustíveis e do gás de cozinha. A concentração foi na Candelária, e os manifestantes seguiram até à Cinelândia.

Balanço

Nesta quinta-feira (13/2), a greve somou 113 unidades, em 13 estados, com mais de 20 mil petroleiros mobilizados. São 53 plataformas, 23 terminais, 11 refinarias e mais 23 outras unidades operacionais e três bases administrativas.

Na Bacia de Campos, houve adesões de três plataformas nesta quarta e quinta-feiras. Até o momento, 33 de um total de 39 plataformas da região aderiram ao movimento. Em Manaus, a greve também ganhou o reforço dos trabalhadores das termelétricas Jaraqui e Tambaqui.

Com informações e foto da Federação Única dos Petroleiros (FUP)

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